Movimento pelos direitos das mulheres

Mulheres em movimento no 28 de setembro – Dia de Ação Global pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro (1) Por Maria José Araújo, em entrevista a Carla Gisele Batista 17/09/20 às 21H11 ... Os avanços feministas pelos direitos das mulheres foram incentivados pelo movimento, como em 1974, quando foi criada na França a primeira Secretaria de Estado da Condição da Mulher, chefiada ... Na busca pela igualdade de gênero, destacamos o papel de Bertha Lutz, conhecida como a maior líder da luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras. O Brasil quase foi o primeiro país a garantir o direito de voto às mulheres. Em 1890, durante a constituinte, defendeu-se o voto universal, que chegou até a ser aprovado. O movimento feminista é um movimento social, político e econômico que tem o objetivo de discutir e lutar por direitos das mulheres. O feminismo luta para que as mulheres deixem de ser vítimas de diversas formas de opressão social para levar a sociedade a estruturas mais justas. A institucionalização das dinâmicas feministas com a chegada da esquerda ao poder na França em 1981, com a eleição de François Mitterrand, e a criação do ministério responsável pelos Direitos das Mulheres, assim como as crescentes divisões dentro do movimento, acabam por minar a influência do movimento. A luta pelos direitos das mulheres no Brasil. Assim como em outras partes do mundo a luta feminina pela garantia dos direitos é uma história de persistência e muita luta. Da mesma forma que muitos países, ignoraram por muito tempo os direitos femininos, o nosso país também demorou para dar atenção à esta questão.

Stannis Baratheon (Parte 9)

2020.09.21 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 9)

Vamos fechar A Tormenta de Espadas.
Assim como ocorreu com a tomada de Ponta Tempestade, Stannis tem muitas recompensas narcísicas ao ajudar a Patrulha da Noite. Ele se instala na Torre do Rei (que não é nenhum trono de ferro, mas já significa algo), consegue uma vitória esmagadora, captura centenas de prisioneiros, enxerga oportunidades nos castelos e terras abandonados da Patrulha e encontra Jon Snow.
Sim, Jon Snow é tratado pelo Rei de Pedra do Dragão como um sinal de R’hllor, pois seus planos inicias limitavam-se em chegar até a Muralha:
Pode ser que me engane com você, Jon Snow. Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra.
(ASOS, Jon XI)
Stannis também está novamente em seu ambiente, se preparando para uma guerra. Em vez de estar sentado, isolado, derrotado e tendo que decidir se sacrifica uma criança para realizar uma antiga profecia, Stannis está ouvindo relatos de primeira mão de pessoas que viram o inimigo em carne (gelo) e osso. Até pelo Portão Negro o rei se interessa.
Diferentemente de estar apático e entregando o controle dos homens a outras pessoas (como estava fazendo em Pedra do Dragão), Stannis volta a seu papel de comandante com punho de ferro. Os homens da Patrulha notam facilmente a diferença entre os homens do Rei e os homens da Rainha:
Aqueles eram homens do rei, porém; Sam rapidamente tinha aprendido a diferença. Os homens do rei eram tão terrenos e ímpios como quaisquer outros soldados, mas os da rainha eram fervorosos na sua devoção a Melisandre de Asshai e ao seu Senhor da Luz.
(ASOS, Samwell IV)
O sabor da vitória na Muralha também reaviva o senso de justiça de Stannis.
O Rei Stannis mantém bem os seus homens na mão, isso é evidente. Deixa-os saquear um pouco, mas só ouvi falar de três selvagens estupradas, e os homens que o fizeram foram todos castrados.
(ASOS, Samwell IV)
Vestido como um homem comum da Patrulha da Noite, pode-se dizer que o rei está de volta a sua confortável simplicidade. Entretanto, ainda usa um broche com seu coração flamejante.
Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso comum broche coma forma de um coração flamejante.
(ASOS, Jon XI)
Eu não saberia afirmar com certeza, mas ao falar apenas do pequeno broche sem mencionar a coroa, GRRM nos dá a impressão de que Stannis estaria menos disposto a ostentar símbolos religiosos que causassem estranheza. De fato, Stannis chega a Castelo Negro portando dois estandartes, um da Casa Baratheon e outro com o coração flamejante.
Flutuando sobre eles vislumbravam-se os maiores estandartes vistos até então, estandartes reais grandes como lençóis; um amarelo com longas pontas, que exibia um coração flamejante, e outro que era como uma folha de ouro martelado, com um veado negro empinando-se e ondulando ao vento.
Robert, pensou Jon durante um momento louco [...]
(ASOS, Jon X)
Eu não duvidaria que a idéia de usar ambos os estandartes tenha vindo de Davos, pois ele já observara que o veado coroado poderia funcionar para elevar o moral dos aliados da Casa Baratheon e intimidar inimigos:
No topo das ameias da Fortaleza Vermelha flutuavam os estandartes do rei rapaz: o veado coroado de Baratheon no seu fundo dourado, o leão de Lannister sobre carmim. […] O coração flamejante estava por toda parte, embora o minúsculo veado negro aprisionado nas chamas fosse pequeno demais para se ver. Devíamos ter hasteado o veado coroado, pensou. O veado era o símbolo do Rei Robert, a cidade rejubilaria ao vê-lo. Esse estandarte de um estranho só serve para colocar os homens contra nós.
(ACOK, Davos III)
Entretanto, convém observar que, aparentemente, o estandarte Baratheon clássico é maior do que o Coração Flamenjante:
O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa comas flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, como fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
(ASOS, Samwell IV)
O que isso quer dizer? Provavelmente nada, afinal Stannis ainda está firme me sua aliança com Melisandre.
Homens da rainha – disse-lhe Pyp […] -– mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, coma filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
(ASOS, Samwell IV)

É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
(ASOS, Jon XI)
O rei ainda fala em entregar prisioneiros às chamas como método de execução:
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas.
(Jon XI)
Inclusive, quando Jon Snow aponta que seus votos o impedem de aceitar a oferta de Stannis, Melisandre apresenta argumentos inteiramente baseados em sua fé e ainda fala em queimar represeiros, em um gesto explícito de intolerância religiosa, sem que Stannis lhe faça qualquer reprimenda.
R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
(ASOS, Jon XI)
Então por que Stannis fica desconfortável quando Melisandre declama diante dos homens da Patrulha que ele é Azor Ahai renascido?
[...] todos pareceram surpreendidos ao ouvir Meistre Aemon murmurar:
A guerra de que fala é a guerra pela alvorada, senhora. Mas onde está o príncipe que foi profetizado?
Ele está na sua frente – declarou Melisandre –, embora não tenha olhos para ver. Stannis Baratheon é Azor Ahai regressado, o guerreiro do fogo. Nele, as profecias cumprem-se. O cometa vermelho ardeu no céu para anunciar a sua vinda, e ele traz a Luminífera, a espada vermelha dos heróis.
Sam viu que as palavras dela pareceram deixar o rei desesperadamente desconfortável. Stannis rangeu os dentes e disse:
Chamaram, e eu vim, senhores. Agora têm de sobreviver comigo, ou morrer comigo. É melhor que se habituem a isso.
(ASOS, Samwell V)
A resposta mais óbvia é a de que ser a reencarnação de um herói mítico o lembra dos problemas que ele enfrentou aproximadamente 1 mês antes em Pedra do Dragão, envolvendo o sacrifício de Edric Storm.
Como dito acima, Stannis parece estar confortável em seu antigo papel de comandante militar e rei. Nós vimos a mesma coisa acontecer após a morte de Renly. O que trouxe Stannis à Muralha foi mais o senso do dever do que as previsões de Melisandre.
Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos.
(ASOS, Jon XI)
Aparentemente, Davos foi muito competente em conciliar os deveres de Stannis como herói com suas obrigações como rei sem envolver de maneira alguma a profecia de Azor Ahai:
Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
(ASOS, Jon XI)
Esta versão agnóstica de seu propósito de vida parece ter agradado bastante Stannis e se projeta para o futuro da história, como veremos em A Dança dos Dragões. Por isso os discursos de Melisandre sobre profecias orientais parecem um pouco fora do contexto quando ele fala aos irmãos negros.
É interessante notar também que pode ser simplesmente que Stannis continue cético quanto a ser Azor Ahai. Principalmente depois que Melisandre deixou ser enganada por Davos, bem de baixo de seu nariz. Aliás, se o cavaleiro das cebolas refletisse sobre o que a própria Melisandre lhe disse sobre o dom para ver as chamas, poderia até alegar para Stannis que a visão que ele viu no fogo deveria ser uma farsa. A sacerdotisa diz que a leitura das chamas requerem anos de prática e zomba de sor Axell por ter-se dito capaz (talvez porque tenha sido ela quem forjou imagens nas chamas enquanto mostrava a ele):
– O fogo é uma coisa viva – a mulher vermelha tinha dito, quando lhe pediu que o ensinasse a ver o futuro nas chamas. – Está sempre em movimento, sempre em mudança... como um livro cujas letras dança me se movimentam mesmo enquanto se está tentando lê-las. São precisos anos de treino para ver as silhuetas por trás das chamas, e mais anos ainda para aprender a distinguir as silhuetas daquilo que irá acontecer das que mostram o que poderá acontecer ou o que já aconteceu. Mesmo então, é difícil, difícil. Vocês, os homens das terras do poente, não compreendem. – Davos perguntou-lhe então como Sor Axell tinha aprendido tão depressa o truque, mas ao ouvir isso ela limitou-se a dar um sorriso enigmático e dizer: – Qualquer gato pode fitar uma fogueira e ver ratos vermelhos brincando.
(ASOS, Davos VI)
Porém, eu não acredito que seja o caso. Davos não deve ter feito esta conexão. Caso contrário, o comportamento de Stannis seria outro. O Baratheon do meio tem uma tolerância pequena a ser feito de bobo.
Os homens da Patrulha aprendem isso rapidamente com a eleição do novo Lorde Comandante. A demora na escolha deixa o rei furioso a ponto de Stannis fazer diversas ameaças e gestos tolos de vingança, como quando ele deixa os homens da Patrulha ajoelhados por muito tempo sem dar licença para que eles levantem da saudação.
O rei estava zangado. Sam viu-o de imediato. Enquanto os irmãos negros entravam, um a um, e ajoelhavam na sua frente, Stannis afastou o café da manhã de pão duro, charque e ovos cozidos, e olhou-os friamente. A seu lado, a mulher vermelha, Melisandre, parecia achar a cena divertida.
O Rei Stannis manteve os irmãos negros de joelhos durante um tempo extraordinariamente longo.
(ASOS, Samwell V)
O rei também já havia confidenciado a Jon Snow que iria sovar o novo Lorde Comandante a fim de instalar os selvagens na Dádiva:
Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante.
(Jon XI)
E completa:
Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir.
(Jon XI)
Mais tarde, Samwell usa estes posicionamento de Stanis para criar um boato de que o rei pretende ele mesmo nomear o próximo Lorde Comandante. Mas não só ele. Os rumores também estão sendo utilizados pelos apoiadores de Janos Slynt.
Se permitirmos que Stannis escolha nosso Senhor Comandante, transformamo-nos em seus vassalos em tudo menos no nome. Não é provável que Tywin Lannister se esqueça disso, e você sabe que será Lorde Tywin quem vai ganhar no fim. Já derrotou Stannis uma vez, na Água Negra.
(ASOS, Jon XII)
Porém, Stannis realmente planejava interferir na eleição da Patrulha?
O rei de Pedra do Dragão fez algumas ameaças contundentes aos irmãos negros que parecem indicar que ele está realmente disposto a interferir nas escolhas da Patrulha.
[...] Seus irmãos escolherão um Senhor Comandante esta noite, caso contrário eu farei desejarem que tivessem escolhido.
(ASOS, Samwell V)
Até mesmo depois de que o processo estava acabado, Stannis continuava ameaçando remover Jon do cargo caso fosse contrariado.
[…] Disseram-me que você é o nonocentésimo nonagésimo oitavo homem a comandar a Patrulha da Noite, Lorde Snow. O que você acha que o nonocentésimo nonagésimo nono diria sobre esses castelos? A imagem de sua cabeça em uma lança poderia inspirá-lo a ser mais prestativo. – O rei pousou sua brilhante espada sobre o mapa, ao longo da Muralha, o aço brilhava como a luz do sol na água. – Você só é Senhor Comandante com meu consentimento. É bom que se lembre disso.
(ADWD, Jon I)
O clima de interferência é tão intenso que isso torna verossímil os boatos que tanto Samwell quanto Alliser Thorne inventaram. Porém, também é forte entre os irmãos a noção de que a interferência é ilegal, como afirma Denys Mallister.
Concordo que seria um dia negro na nossa história se um rei nomeasse o nosso Senhor Comandante.
(ASOS, Samwell V)
Então como explicar que uma pessoa reta como Stannis estaria tentando fazer manobras ilegais para obter um homem que lhe fosse favorável no comando da Patrulha? A resposta é bastante óbvia: ele não está.
Stannis sabe que, se quisesse, poderia facilmente dobrar a Patrulha.
Eu tenho três vezes mais homens do que vocês. Posso ocupar as terras, se quiser, mas preferiria fazer isso legalmente, como seu consentimento.
(ASOS, Samwell V)
Todo este som e fúria de ameaças e protestos são o modo que Baratheon encontrou de fazer com que a burocracia dos irmãos negros não atrapalhe a campanha que ele mal iniciou.
A Senhora Melisandre disse-me que ainda não escolheram um Senhor Comandante. Estou descontente. Quando tempo mais esta loucura vai durar? […] Tenho cativos cujo destino deve ser decidido, um reino que precisa ser posto em ordem, uma guerra a travar. Escolhas têm de ser feitas, decisões que envolverão a Muralha e a Patrulha da Noite. Por direito, o seu Senhor Comandante deveria ter algo a dizer nessas decisões. [...] Se por acaso Lorde Janos aqui for o melhor que a Patrulha da Noite tema oferecer, rangerei os dentes e engolirei esse fato. Não me importa nada quem de seus homens será escolhido, desde que façam uma escolha.
(ASOS, Samwell V)
O rei fala isso mais de uma vez.
Poupe-me de sua bajulação, Janos, que não lhe servirá de nada. […] – Não é meu desejo imiscuir-me em seus direitos e tradições.
(ASOS, Samwell V)
Quanto a Stannis ter mostrado inclinação a retirar seu consentimento com a escolha de Jon, literalmente ameaçando matá-lo, deve ser observado que Stannis poderia ter cumprido suas ameaças naquela oportunidade, mas não o fez. Baratheon provavelmente estava querendo descontar a rasteira sofrida Jon ter sido eleito antes mesmo de aceitar ou negar a oferta de se tornar Senhor de Winterfell. Por isso, todas as ameaças que fez foram vazias, assim como são quase todas, segundo Melisandre:
A mulher vermelha desceu a escada ao lado deJon. – Sua Graça está gostando cada vez mais de você.
Percebi. Ele só ameaçou cortar minha cabeça duas vezes.
Melisandre riu.
São seus silêncios que você deve temer, não suas palavras.
(ADWD, Jon I)
Antes de encerrar as análises de A Tormenta de Espadas, eu gostaria de lhes deixar com um pequena questão que eu não soube responder:
Por que Stannis lembra Catelyn a Jon?
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. Com os seus profundos olhos azuis e a boca dura e fria, parecia-se um pouco com Stannis. Ferro, pensou, mas quebradiço. Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa. Quem é você?, sempre lhe parecia que aquele olhar dizia. Este não é o seu lugar. Por que está aqui?
(ASOS, Jon XII)
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2020.09.14 20:25 Des777soc O stalinismo nunca apoiou nenhuma revolução; as boicotou (I)

Vi, em um debate recente, uma viúva de Stálin afirmar que as revoluções e implantações de estados operários em várias partes do mundo foi fruto da política do “socialismo em um só país” aplicada pela União Soviética a partir de meados da década de 1920. O debatedor encheu os pulmões para louvar o stalinismo, atribuindo à burocracia soviética os processos de libertação nacional e independência dos países coloniais e de governo operário no leste europeu, China, Coreia, Vietnã, Cuba…
Essa, no entanto, não é uma análise científica. O que realmente aconteceu foi muito diferente do propagado pelos stalinistas.
A teoria do “socialismo em um só país” foi desenvolvida em um momento no qual a burocracia stalinista havia tomado conta do Partido Bolchevique após a morte de Lênin com o único objetivo de se encastelar no Crêmlin e proteger-se de quaisquer turbulências. Foi uma desculpa para trair a tradição internacionalista fundada por Marx e Engels de promover a revolução mundial, afirmando que a URSS, após a guerra civil e as derrotas das revoluções pós-Revolução Russa, não tinha condições de levar adiante a organização do proletariado internacional para a tomada do poder.
O verdadeiro motivo era que, caso ocorressem revoluções em outras partes, essas transformações dariam um ímpeto à própria classe operária soviética, que já havia passado pela experiência revolucionária menos de dez anos antes, e esta se movimentaria novamente para reaver a política de 1917, desvirtuada e traída pela burocracia. Para recuperar a organização independente nos sindicatos – domesticados pela mão de ferro do estado operário degenerado -, os direitos conquistados após a revolução e que depois foram sendo retirados por Stálin – como o direito das mulheres ao aborto – e, finalmente, para retomar para si o poder do Estado, derrubando a casta burocrática que parasitava o aparelho partidário e estatal.
A burocracia – como qualquer burocracia reacionária – tremia só de pensar em perder os seus privilégios adquiridos à custa da classe trabalhadora.
Foi assim que, já em 1926, diante de uma greve geral de características revolucionárias na Inglaterra, a política externa stalinista tratou de conter o movimento operário inglês ao ficar à reboque dos sindicalistas social-democratas no Comitê Anglo-Russo, que traíram a greve e acabaram com ela. No ano seguinte, foi a vez de uma experiência ainda mais catastrófica na China, quando a aliança com o já reacionário Kuomintang levou o Partido Comunista a uma derrota avassaladora e a um banho de sangue dos operários que se ergueram em Xangai, desorganizando completamente o movimento popular chinês pela repressão do Kuomintang.
Após essas fatídicas derrotas, o stalinismo e a III Internacional controlada por ele implementaram um giro de 180 graus, indo da direita para o ultra-esquerdismo. Na Alemanha, por exemplo, os comunistas se recusaram a fazer uma frente única com a social-democracia contra a ascensão de Hitler e na França chegaram a apoiar ações fascistas contra a mesma social-democracia. Era a política do “Terceiro Período”, que pregava o “social-fascismo”, afirmando que não se poderia mais fazer alianças com os reformistas (mesmo eles sendo majoritários no movimento operário), porque eram o braço esquerdo do fascismo. Imaginavam, ademais, que seria até bom a subida ao poder dos fascistas, porque estes desestabilizariam a tal ponto o regime político burguês que enfraqueceriam a burguesia e, sendo eles próprios muito frágeis, abririam o caminho para a revolução socialista!
Depois de mais um ciclo de derrotas, com os nazistas enviando tanto os comunistas como os social-democratas para os campos de concentração, o stalinismo implementou um novo giro de 180 graus em sua política centrista, pregando novamente uma colaboração de classes com a burguesia e promovendo as chamadas frentes populares em todos os lugares.
Após aliar-se com os fascistas, portanto, o Partido Comunista Francês, sob as ordens da III Internacional, formou uma frente com o Partido Socialista e o Partido Radical em um movimento de ascensão revolucionária do proletariado francês. Essa frente serviu ao único propósito de conter o desenvolvimento da classe operária para a tomada do poder. Intensas agitações infestaram o país em 1936, com greves e ocupações de fábricas, até explodir uma greve geral de características revolucionárias. A frente popular, que estava no governo, teve de entregar os anéis para não perder os dedos, e o PCF foi fundamental nessa política, tanto de boicotar o movimento como de acabar com a greve fazendo concessões para que a crise revolucionária terminasse sem a tomada do poder pelo operariado, mantendo assim a burguesia no controle da situação.
Caso ainda mais grave foi na Espanha. O governo republicano teve forte apoio do Partido Comunista, sendo, assim, um governo de frente popular e colaboração de classes, e tendo chegado ao poder graças à mobilização radical dos trabalhadores espanhóis. A situação evoluiu de maneira que, em 1936, estourou uma revolução, na qual os operários ocuparam fábricas e os camponeses, as terras. A burguesia reagiu com o fascismo entrando em guerra civil com os republicanos e seus aliados comunistas e anarquistas. Durante a guerra, que durou até 1939, ao invés de tomar as armas para, enquanto lutava contra o fascismo, desenvolver o caráter socialista da revolução, os comunistas praticaram uma política tão direitista quanto os republicanos.
Mas o fato mais marcante da revolução espanhola foi o papel da própria URSS. Em sua política internacional de conciliação com os países imperialistas “democráticos”, concordou em não intervir do lado republicano na guerra, mas ao mesmo tempo a Alemanha e a Itália enviavam homens e armas para as tropas de Franco. Quando a situação degringolou, os soviéticos se limitaram a criar brigadas internacionais (sob a pressão do movimento operário mundial), controlando-as rigidamente, sem o poder necessário e possível para intervir de verdade na guerra a fim de desequilibrar o conflito a favor da República.
Quando chegaram à Espanha, as brigadas, subordinadas ao Partido Comunista (que, por sua vez, era subordinado a Moscou) substituíram, à força, as milícias operárias, transformando-as em exército regular e as incorporando nas tropas republicanas, que, naquele momento, já estavam em claro declínio. O ponto mais dramático foi o confronto do Partido Comunista com os militantes do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), que era tachado de trotskista, e que levou a uma repressão violentíssima de seus militantes pelos oficiais do PCE, desintegrando o POUM e jogando a pá de cal na última esperança de organização independente dos operários espanhóis. Isso já foi em 1939 e tornou-se fundamental para a derrota das forças de esquerda para o franquismo, que impôs seu domínio sobre o país transformando a Espanha em um estado fascista que durou 35 anos.
(Continua)
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2020.09.14 04:58 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 8)

No mesmo dia em que a notícia da morte de Joffrey chega a Pedra do Dragão, Davos tira Edric Storm da ilha. Ao saber da notícia, Stannis fica abalado com a traição de sua Mão. Ele havia mantido Davos nas celas por ter ameaçado a vida de Melisandre. Naquela ocasião, a mulher vermelha vira nas chamas a ameça e lhe contou. Agora, porém, ela nem mesmo previu. Davos o traiu por debaixo do nariz até mesmo de R’hllor.
O Rei se sente cansado da sucessão de Mãos traidoras. Alester Florent quase fez um acordo de rendição com os Lannister e entregou Shireen para se casar com o abominável bastardo Tommen. O cavaleiro das cebolas o privou da única ferramenta que poderia encerrar a guerra, unir o reino e trazer dragões de volta a vida. Stannis sabe que a pena para traição é a morte, por isso mesmo ele desembainha luminífera para oferecer a Davos um pouco mais da mesma justiça que o fez perder seus dedos.
Ajoelhado, Davos então pede para ler algo, que nem Stannis ou Melisandre sabem ser a carta de meistre Aemon pedindo ajuda. Stannis concede, com os músculos do pescoço projetando-se “como cordões” de tanta raiva. O resto dos acontecimentos, não ficamos sabendo. Dez capítulos depois, Stannis está na Muralha e presumimos que as tensões em Pedra do Dragão acabaram e todo mundo se perdoou.
Mas, obviamente, não foi isso que aconteceu. A viagem de Stannis é cercada de nuances inusitadas e inescrutáveis.
Como Davos convenceu Stannis a ajudar a Patrulha?
Para muitos esta pergunta deve parecer um pouco ridícula. Parece óbvio que Stannis, após ter tido a visão com “um anel de archotes, [...] um monte alto qualquer numa floresta [...] homens de negro atrás dos archotes, e [...] silhuetas em movimento através da neve”, ele entenderia que estava olhando para a Patrulha da Noite, certo?
Talvez, mas é necessário entender que a luta de Azor Ahai não era contra os selvagens, mas sim contra um inimigo feito de escuridão, frio e morte. A visão que Stannis teve foi a de um monte alto em uma floresta e silhuetas na neve, o que de forma nenhuma coincide com o terreno de Castelo Negro.
Por outro lado, vejam que até mesmo uma pessoa com inclinações humanitárias como Davos não vê qualquer vantagem para Stannis em socorrer a Patrulha quando lê a carta pela primeira vez:
Onde está o mal em um rei selvagem qualquer conquistar o Norte? Afinal, Stannis sequer controlava o Norte. Sua Graça dificilmente podia ser acusada de não proteger pessoas que se recusavam a reconhecê-lo como rei.
(ASOS, Davos V)
Davos obviamente não faz este cálculo usando a moral como bússola. Ele provavelmente faz um cálculo político, como Mão do Rei, como alguém que conhece a cabeça de seu próprio Rei. Afinal, Stannis não tinha homens para oferecer uma ajuda real à Patrulha. Nas condições que Stannis estava, para dar uma ajuda real ele teria que ir enviar praticamente toda sua força.
Sou a Mão do Rei, certo. Stannis podia ser o Rei de Westeros no nome, mas na realidade era o Rei da Mesa Pintada. Controlava Pedra do Dragão e Ponta Tempestade e tinha uma aliança cada vez mais incômoda com Salladhor Saan, mas era só. Como podia a Patrulha ter voltado os olhos para ele em busca de ajuda? Podem não saber como ele é fraco, como a sua causa está perdida.
(ASOS, Davos V)
Sabe o que é interessante sobre isto? Quem foi que deu uma resposta igual a essa ao pedido de ajuda feito pela Patrulha? Tywin Lannister.
Tyrion lembrou-se de sua visita à Muralha [...].
[...] A Patrulha está com uma grave falta de efetivos. Se a Muralha cair...
... os selvagens inundarão o Norte – concluiu o pai – e os Stark e os Greyjoy terão outro inimigo para combater. Se, como parece, já não desejam ser súditos do Trono de Ferro, com que direito olham para ele em busca de ajuda? Tanto o Rei Robb como o Rei Balon reivindicamo Norte. Que eles o defendam, se conseguirem. E, se não conseguirem, esse Mance Rayder até pode se revelar um aliado útil.
(ASOS, Tyrion III)
Stannis divide alguns traços de personalidade com Tywin, especialmente no tocante a fachada de durões. Ambos são comandantes de guerra experientes, que preferem comandar da retaguarda, bons estrategistas e têm visões pragmáticas da política. Ambos se reconhecem como inimigos poderosos e tentam esconder suas estratégias do outro, pois têm mentalidades muito próximas. Nessa releitura, inclusive, reparei pela primeira vez que Tywin e Stannis usam a mesma expressão para avaliar Robb Stark:
Sim, pus os homens menos disciplinados na esquerda. Previ que quebrariam. Robb Stark é um rapaz verde, provavelmente mais ousado que sábio.
(AGOT, Tyrion VIII)
...
[...] O filho de Eddard Stark foi proclamado Rei no Norte e conta com todo o poderio de Winterfell e Correrrio.
Um jovenzinho verde – Stannis ironizou. – E outro falso rei. Devo aceitar um reino mutilado?
(ACOK, Prólogo)
Diante destas similaridades, me chamou a atenção que Tywin Lannister foi o único outro político a receber uma carta de apelo vinda da Muralha. Eis a resposta que ele deu a Pycelle:
Cinco reis? – o pai estava aborrecido. – Há um rei em Westeros. Esses tolos de negro podiam tentar se lembrar disso, se desejam que Sua Graça lhes dê ouvidos. Quando responder, diga-lhe que Renly está morto e que os outros são traidores e farsantes. […] – A Patrulha da Noite é formada por um bando de ladrões, assassinos e grosseirões ilegítimos, mas ocorre-me que poderiam demonstrar ser diferentes, desde que tivessem a disciplina adequada. Se Mormont está realmente morto, os irmãos negros têm de escolher um novo Senhor Comandante. […] solicite a Marsh que dê os melhores cumprimentos de Sua Graça ao seu fiel amigo e servidor, Lorde Janos Slynt.
(ASOS, Tyrion IV)
Essa deve ter sido exatamente a reação de Stannis quando Davos leu a carta. Portanto, se Davos queria estar preparado para convencer Stannis, ele deveria ter alguns argumentos na manga para mostrar que: 1) a Patrulha não quis ofender a pretensão de ninguém, apenas está desesperada; 2) São uma ordem com algum senso de honra; 3) que vale a pena salvar o Norte de uma invasão e 4) que os selvagens não são necessariamente uma ameaça.
Qual não foi minha surpresa quando notei que Davos reflete sobre todos esses argumentos no capítulo anterior a tirar Edric de Pedra do Dragão e ler a carta a Stannis e Melisandre. A história de Davos sendo aprendiz no barco de Roho Uhoris, que a primeira vista parece uma lembrança totalmente desconexa a princípio, parece ter uma função no convencimento de Stannis.
Davos sabia que Stannis ficaria ofendido pela menção ao cinco reis (“essa conversa de cinco reis teria sem dúvida enfurecido Stannis”), mas Davos sabe que se a carta também havia sido enviada a Stannis, a Patrulha deveria estar em uma situação tão desesperada que não tinham como escolher (“Só um homem esfomeado suplica pão a um pedinte”). Mas a Patrulha não sabia da situação de Stannis (“Podem não saber como ele é fraco, como a sua causa está perdida”), então, ao responder ao chamado Stannis poderia passar a impressão de força e ainda matar a fome de vitória de seus soldados.
Porém, como Tywin alegou a Patrulha é apenas um “bando de ladrões, assassinos e grosseirões ilegítimos”, por que Stannis gastaria recuros e se juntaria a este tipo de escória? É aqui que entra a história aparantemente aleatória do tyroshi em cujo barco Davos foi aprendiz.
A primeira vez em que viu a Muralha era mais novo do que Devan e servia a bordo do Gato da Calçada às ordens de Roro Uhoris, um tyroshi conhecido de cima a baixo do mar estreito como Bastardo Cego, embora nem fosse cego nem filho ilegítimo. Roro tinha passado por Skagos e entrado no Mar Tremente, visitando uma centena de pequenas angras que nunca antes tinham visto um navio mercante. Trouxe aço; espadas, machados, elmos, boas camisas de cota de malha, para trocar por peles, marfim, âmbar e obsidiana. Quando o Gato da Calçada voltou para o sul, trazia os porões repletos, mas na Baía das Focas surgiram três galés negras e pastorearam-no até Atalaialeste. Perderam a carga e o Bastardo perdeu a cabeça, pelo crime de vender armas aos selvagens.
Davos tinha comerciado em Atalaialeste nos seus dias de contrabandista. Os irmãos negros eram inimigos duros, mas bons clientes, para um navio com o tipo certo de carga. Mas apesar de ter aceitado o seu dinheiro, nunca esqueceu o modo como a cabeça do Bastardo Cego tinha rolado pelo convés do Gato da Calçada.
A história mostra que representa a Patrulha como uma ordem com uma certa noção de disciplina e justiça. Fiel no cumprimento de seu dever. Veja que o incidente ocorreu antes da vida de contrabandista de Davos, não havendo porque ninguém suspeitar que ele seria persona non grata. Ainda assim, a experiência foi marcante o suficiente para ficar na memória do cavaleiro das cebolas.
Por outro lado, a fama de bons clientes é uma sutileza interessante. Mostra que a Patrulha é aberta a negócios e não trata pessoas com ingratidão. Este tipo de julgamento de Davos deve ser capaz de aplacar qualquer medo que Stannis tivesse de seguir para o Norte, ajudar a Patrulha e, no fim, ser recompensado com ingratidão.
Todos estes detalhes soariam como música nos ouvidos de Stannis e muito possivelmente poderia neutralizar a opinião elitista que o rei certamente compartilha com Tywin.
Quanto ao convencimento de que o Norte merecia atenção, Davos buscou inspiração nas próprias palavras de Melisandre.
Quantos garotos vivem em Westeros? Quantas garotas? Quantos homens, quantas mulheres? A escuridão vai devorá-los todos, diz ela.
(ASOS, Davos V)
Assim, quando a nova Mão percebe que a visão fala sobre a Patrulha da Noite, que está no ponto mais ao Norte de Westeros, ele vê que as palavras de Melisandre prenunciam que todos ao Sul da Muralha estão indistintamente no mesmo barco. Portanto, poderia facilmente argumentar que a noção de povo que Baratheon deveria proteger com o sacrifício de Edric também incluía as pessoas que não se ajoelharam para ele. Afinal, era exatamente o que ele estava tentando fazer tendo o povo do Sul em mente.
Se Melisandre soubesse desta carta... O que foi que ela disse? Aquele cujo nome não pode ser proferido está reunindo o seu poder, Davos Seaworth. Em breve chegará o frio, e a noite que nunca termina... E Stannis teve uma visão nas chamas, um anel de archotes na neve, rodeados de terror.
(ASOS, Davos V)
sei que um rei protege o seu povo, caso contrário não é rei nenhum.
(ASOS, Davos VI)
O convencimento de que o Povo Livre não era uma ameaça, porém, não ocorreu com base neste mesmo argumento. Nós vimos Jon Snow fazer uma forte defesa de que os selvagens eram homens também, mas em nenhum momento a coisa ocorre do mesmo jeito com Stannis. Em verdade, no momento em que Davos lograsse demonstrar que o Norte precisaria ser salvo, pensar em uma parceria com Mance Rayder (como Tywin cogitou, então portanto passaria pela cabeça de Baratheon) seria um tiro no pé de Stannis. Ele sabia que os Nortenhos veriam Mance como uma ameaça constante e nenhum deles abrigaria o Povo Livre.
Assim, Davos precisava convencer Stannis de que os selvagens não eram todos clones de Mance Rayder, que era possível separar o joio do trigo. Por outro lado, uma visão humanista dos selvagens também se fazia necessária para que o rei não os visse como seres humanos e, portanto, seus súditos. Para isso, GRRM usa novamente a experiência de Davos com Roho Uhoris.
Conheci alguns selvagens quando era garoto – disse ao Meistre Pylos. – Eram ladrões razoáveis, mas ruins na pechincha. Um deles desapareceu coma nossa garota de cabine. Tudo somado, pareceram-me homens como os outros, uns bons, outros maus.
O argumento certamente convenceu Stannis, pois temos evidência de que ele já chegou em Castelo Negro com a intenção de dobrar os joelhos dos selvagens, não massacrá-los. Até o número de cativos é igual ao número de mortos. Uma quantidade enorme de prisioneiros, especialmente de um povo que não paga resgates.
Matei mil selvagens, capturei outros mil e dispersei o restante, mas ambos sabemos que eles voltarão. Melisandre viu isso em seus fogos. [...] E quanto mais nos sangrarmos uns aos outros, mais fracos estaremos todos quando o verdadeiro inimigo cair sobre nós. […] Seus irmãos não gostarão disso, não mais do que os senhores de seu pai, mas eu pretendo permitir que os selvagens atravessem a Muralha... [...] Quando os ventos frios se erguerem, sobreviveremos ou morreremos juntos. É hora de fazermos uma aliança contra o nosso inimigo comum.
(ASOS, Jon XI)
Stannis perdoou Davos?
Outra pergunta que parece ter uma resposta óbvia e ululante, mas só parece. Stannis não matou Davos, mas todas as pessoas envolvidas na extração de Edric de Pedra do Dragão foram sutilmente punidas por Stannis.
Rolland Storm e Meistre Pylos foram deixados para trás em Pedra do Dragão para tomar conta da fortaleza. Salladhor Saan somente não foi dispensado porque Stannis precisava dos navios dele para chegar a Atalaialeste, mas Stannis não deu qualquer outro passo para tentar pagar o pirata desde então, fato que pesou na decisão do liseno de abandonar Stannis.
No fim, Stannis enviou Davos em uma missão que dependia exclusivamente dos navios de Saan, um pirata a quem ele estava negligentemente negando pagamento.
Então, de certo modo, Stannis tornou-se um pouco mais negligente com Davos, o despachou para longe e passou a lhe exigir mais serviço. Uma punição tão sutil que pode nem ter sido deliberada, algo inconsciente.
Contudo, o rei não foi tão longe ao ponto de convocar os homens que estão guardando Edric em Lys.
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.08.10 10:33 d_sandstrom RAÇAS [MASTERPOST]

RAÇAS [MASTERPOST]
EU NÃO ACHEI QUE EU CONSEGUIRIA AINDA ESSE MÊS, MAS EU CONSEGUI, ENTÃO, POR FAVOR, DÊEM FEEDBACKS.
E AQUI ESTÁ O MANUAL COMPLETO DE RAÇAS DE PLURALYIAH.
Tem alguns desenhos, e todos feitos por mim.
SUMÁRIO
  1. ALLIGATOR
  2. ANÃO
  3. ATLANTE
  4. BOTO-COR-DE-ROSA
  5. BISEÉ (MEIO BISÃO VOADOR)
  6. CURUPIRA
  7. ELFO (tem arte)
  8. ELFO DO CÉU
  9. ELFO GÉLIDO
  10. ELFO NEGRO (tem arte)
  11. FE-ÉRY
  12. FEITHNARI (tem arte)
  13. FINTROLL
  14. PARVUS
  15. HUMANO
  16. MAGMARÉU
  17. MEDUSA
  18. MEFITE (tem arte)
  19. MINOTAURO
  20. REPTILIANES
  21. GEENY
  22. SEREIA/TRITÃO
  23. REPROBI

Anão
Uma das raças fundadoras de Pluralyiah, disputava em números junto com Elfos até que humanos começaram a se espalhar como uma praga, sendo filhos de várias misturas e raças.
Habilidades de Raça
+3 Carisma, +3 Perspicácia; tamanho menor
MÃOS GENTIS
Você adiciona seu modificador de carisma ou perspicácia em testes de Ladinagem e Furtividade, essa escolha deve ser feita assim que a ficha estiver pronta.
AFÁVEL
Como criador e fundador da maior parte dos continentes, você consegue entender qualquer língua humanoide do mundo material de Pluralyiah.
FORTE COMO UMA FORMIGA
Você consegue carregar até 6x o seu próprio peso.
ENGENHOSO
Você consegue entender o funcionamento de qualquer engenhoca não-mágica gastando duas horas observando-a, mesmo sem tocá-la.

Atlante
Habilidades de Raça
+2 Força, +2 Perspicácia, +2 Agilidade -2 Constituição
Uma raça vinda de pessoas que moravam em ilhas que acabaram se afundando pouco a pouco, forçando-os a passar cada vez menos tempo na água e se relacionando mais com sereias do que com sues próprias espécies. SIM, SUES, ESSA RAÇA É UMA MISTURA DE QUALQUER RAÇA TERRENA COM SEREIAS E TRITÕES.
MESTRE DOS MARES
Você pode utilizar a magia Compreender Idiomas em qualquer criatura aquática com modificador de inteligência superior a 2, além disso, enxerga completamente em escuridão, incluindo camuflagem total por até 32M
CORPO FLUIDO
O veneno se espalha pelo seu organismo como se espalha pelo oceano, tem penalidade 3 em envenenamento, e como no oceano se dissipa em você, tendo sua duração reduzida pela metade em efeitos negativos de envenenamento.
OSCILAR
Seus ancestrais passavam a vida lutando nas águas, então, fora delas, seus ataques têm mais poder e pressão. Pode nadar com deslocamento de 14m e envenenar suas garras para usá-las como ataque natural numa quantidade de vezes por dia igual a 1+ o seu modificador de constituição.
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.

BOTO-COR-DE-ROSA
Habilidades de Raça
+4 de bônus em carisma, +2 em agilidade, -2 em força
Uma nova criação do acasalamento de Atlantes e Sereias/Tritões. Estes são a culpa do mito de mulheres que, após um dia de descanso na praia, aparecem grávidas de um homem que pulou nos mares/rios e muitas vezes sumiu, jamais sendo visto novamente.
HUMANO QUASE COMPLETO
Você ganha um uso da magia seduzir em qualquer raça, gênero ou etnia, para resistir, e alve deve passar em um teste de CD15 (+ o modificador de carisma de conjuradore). Caso e alve falhe no teste, atenderá a qualquer pedido cortês, lascivo ou carnal de conjuradore por duas horas. Uso limitado à atividade de seduzir. Caso e alve seja bem-sucedido, saberá que e conjuradore tentou lançar uma magia, mas isso não limita sua reação, talvez ele já quisesse algo com e conjuradore.
DROGA, UMA BARBATANA
Essa criatura deve fazer um teste de vontade toda vez que entrar na água para não virar um boto, e toda vez que sair da água para não virar um humano – a não ser que essa seja sua vontade. É um teste de Constituição de CD13.
CARISMÁTICO
Como um bom boto sedutor, você recebe +5 em testes de diplomacia, cortejo, flerte e enganação, além de sua velocidade de deslocamento aumentar em 3m, na água sua velocidade de deslocamento aumenta em 15m.
BOTO VELOZ
Sua velocidade de deslocamento aumenta em 3m, na água sua velocidade de deslocamento aumenta em 15m.

BISEÉ (MEIO BISÃO VOADOR)
Habilidades de Raça
+4 força, +2 constituição, -2 perspicácia
Biseés costumam ser tímidos, mas isso não é uma regra, só se sentem inferiores em aparência em relação às demais raças, por mais que muitos o achem fofos. É comum pessoas quererem adotarem Biseés, e isso os incomoda.
HERANÇA DO BISÃO VOADOR
Você é tem sangue de Bisão voador, por isso recebendo o nome de Biseé (se pronuncia bizí). Sua pele é coberta por pelagem e você tem pequenos chifres acima das sobrancelhas, além de uma cauda achatada.
+2 em jogadas de ataque para atropelar e empurrar.
+4 em jogadas de ataque (em vez de +2) quando faz investidas.
ARMA NATURAL
Você tem chifres e pode executar um ataque adicional por rodada com os chifres ou um giro batendo com a cauda causando 1d6 de dano, mas sofre penalidade de –2 em todos os ataques (incluindo este). Atacar com a causa exige uma ação de movimento livre e empurra inimigos para 3m de você.
VÔO MÁGICO
Sua cauda é uma herança mágica, há uma crença de que apenas com ela é possível que um Biseé levante voo, sendo um instinto batê-la no chão para levantar voo mágico, mas isso não é verdade. Todavia, um Biseé consegue levantar vôo tendo 1m livre atrás de si, podendo voar até 15m acima do chão.
AMASSAR
Sua cauda consegue quebrar ou amassar qualquer objeto que não seja composto por materiais preciosos de até tamanho médio.

CURUPIRA
Habilidades de Raça
+3 perspicácia, +3 agilidade, -2 constituição
Curupiras são protetores da mata, muito ágeis e sábios, sempre pregando peças em quem tenta machucar a natureza e muito amigo de tudo o que é vivo.
BOM FRUTO
Você consegue achar qualquer coisa boa para se alimentar na natureza, e reconhecer instintivamente se algo está envenenado.
IRRASTREÁVEL?
A anatomia dos seus pés funciona para o lado contrário da anatomia humana, sendo assim, para te rastrear, e rastreadore tem que fazer um teste de CD 15 (+ o modificador de agilidade de curupira)
EMPATIA ANIMAL
Não precisa realizar testes para adestrar ou montar em animais.
CORRA, CURUPIRA, CORRA!
Sua velocidade de deslocamento aumenta em +6m.

Elfo

https://preview.redd.it/h4oxs5w5y4g51.png?width=1500&format=png&auto=webp&s=5e0752635a7d054387b45f01f03637fc4b325181
Habilidades de Raça
+2 em carisma, +4 em perspicácia, -2 força
FLUIDEZ CORPÓREA
Você sabe dançar qualquer coisa – muito bem, usar espadas curtas, espadas longas, floretes e arcos (curtos, longos e compostos), recebendo Treino em Arma em duas dessas armas sem consumir seus pontos de talento. A escolha das duas armas deve acontecer antes de a ficha ser finalizada e não pode ser modificada.
O QUE VEM DE MAGO NÃO ME ATINGE
A herança mágica corre em suas veias, recebe +4 em testes para resistir à magia e sofre 2 a menos de dano por magia arcana.
MAGIA METALÓGICA
A magia pra você é uma ciência, e uma vez dominada, é uma faca de dois gumes. Suas magias aumentam todos os efeitos numéricos em 6 – incluindo se você for afetado pela própria magia, além disso, consegue lançar as magias Esferas Luzentes, Sono e Pasmar ainda que não pertença a uma classe arcana.
AURA MÁGICA
O dobro do seu modificador de perspicácia é igual à sua EM se não for treinado numa classe arcana. Caso pertença a uma classe arcana, apenas seu modificador de perspicácia se soma à sua PM, e não o dobro.

Elfo do Céu
Habilidades de Raça
-2 Carisma, +2 Agilidade, +4 Força
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.
ELFO... DO CÉU!
Você tem asas de 1,5m e pode voar com o dobro do seu deslocamento terreno. Para lançar vôo, você precisa estar entre o espaço livre de 3m em quaisquer direções paralelas (norte-sul/leste-oeste... etc). Você pode dormir enquanto voa e voar não te causa cansaço ou impede de utilizar armas. Recebe penalidade 2 para andar em terreno difícil além da penalidade coum.
ANJO QUASE-SEM ASAS
Você pode lançar a magia ilusão em uma quantidade de vezes por dia igual ao seu modificador de Carisma +1 para esconder suas asas.
VIGILANTE
Você não precisa dormir, e consegue se recuperar completamente em vida e PM meditando por 3h, no entanto, isso te faz pouco sociável devido ao estresse por privação de sono.

ELFO GÉLIDO
Habilidades de Raça
+4 em constituição, +2 em força, -2 carisma
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.
CORAÇÃO DE GELO
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil quando esse terreno é gelo, neve, ou terreno frio; NA VERDADE, você ganha 3m de velocidade de deslocamento nesses terrenos e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Você não precisa esquentar frutos do mar para comer e nem se agasalhar no frio.
CICATRIZAR
O gelo também é muito eficaz para cicatrizar feridas, e pela adaptação élfica, você é capaz de escolher uma parte do seu corpo por ação de movimento para ser cicatrizada e curar 1d4 de vida – você não pode utilizar essa habilidade se não estiver sob efeito de sangramento a não ser que tenha acabado de ser ferido por até 5 de suas ações de movimento anteriores ao uso dessa habilidade.
Partes do corpo para se concentrar: Mãos, Antebraços, Bíceps, Peitoral, Abdome, Costas, Cintura, Coxa, Canela, Panturrilha, Pés, Pescoço, Cabeça, Região entre-ombros.
VISÃO PERFEITA
Acostumade a ter épocas de penumbra distantes das épocas de Sol, sua visão se adapta facilmente a qualquer claridade – ou à falta dela. Você enxerga qualquer coisa que não esteja sendo bloqueada da sua visão em linha reta num raio de 32m

ELFO NEGRO
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+2 em constituição, +2 em agilidade, +2 carisma, -2 em uma habilidade à sua escolha
A CURA PELA DOR
Você pode cauterizar qualquer ferimento utilizando uma ação de movimento – tanto seus quanto de outras criaturas vivas. Role 1d2 (metade de 1d4) de dano, a criatura deve estar disposta a sofrer o resultado em troca do estancamento daquela região. Se a criatura não morrer, ela cura 1d4 de vida.
CORAÇÃO SOLAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil quando esse terreno é neve, brasa, ou terrenos vulcânicos; NA VERDADE, você ganha 3m de velocidade de deslocamento nesses terrenos e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Você não precisa se proteger do calor e consegue esquentar qualquer condimento utilizando de sua concentração nas mãos.
VIGILANTE ETERNO
O sol te vitaliza, ficar por três horas no Sol, sem entrar em sombras, recupera sua vida e sua Essência Mágica como se tivesse entrado em sono profundo. Você pode ficar acordado pra sempre se for inteligente.
SÍSMICO
Você consegue rastrear qualquer criatura que esteja sob o mesmo solo que você a 12m.

Fe-éry
Habilidades de Raça
+2 carisma, +2 agilidade, +2 perspicácia, -2 força
AGORA VOCÊ ME VÊ...-
Seu tamanho torna fácil se esgueirar, espiar e se esconder. Você recebe +5 em testes de furtividade e ladinagem.
PÓ DE FE-ÉRY
Pode lançar a magia Leque Cromático OU Levitação por uma quantidade de vezes igual a 1+ metade arredondada para inferior do seu modificador de Carisma. Uma vez no dia feita essa escolha, só poderá ser modificada após dormir.
ZUUUMMM...
Você tem asas de 60cm, seu tamanho não pode ultrapassar 1m, e pode voar com o dobro do seu deslocamento terreno. Para lançar vôo, você precisa estar entre o espaço livre de 60cm em quaisquer direções paralelas (norte-sul/leste-oeste... etc). Você pode dormir enquanto voa e voar não te causa cansaço ou impede de utilizar armas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.

Feithnari
https://preview.redd.it/1cu3oap7y4g51.png?width=2088&format=png&auto=webp&s=7933351930efab812ab4e8c72e63d56c3d489cb2
Habilidades de Raça
+4 perspicácia, +2 força, -2 perspicácia
ESVOEJAR
Recebe Classe de Armadura +7, seu corpo é envolvido por plumagem de penas de protegem e envolvem todo o seu corpo, suas asas são resistentes e rápidas o suficiente para impedir muitos ataques.
POUSO LEVE
Deslocamento base 6m, pode voar com o triplo de seu deslocamento terreno e se sustentar em armas, cordas, fios, rochas e telhados sem penalidades por terreno difícil. Está constantemente sob efeito do talento Queda Suave, mesmo com as asas presas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.
ARMAS NATURAIS
Possui garras afiadas no lugar das unhas e bico afiado sensível à polaridade do Globo Pluralyiano no lugar da boca, tem bônus +3 para teste de acerto com bico e garras, se acertar, causa 2d4+4 de dano perfurante, sempre sabe pra que direção é o norte, sul, leste e oeste, mesmo se estiver prese em locais fechados.

Fintroll
Habilidades de Raça
+6 perspicácia
CASA É TODO LUGAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil – o que não significa que você não sinta penalidade por ser exposte a frio ou calor contínuos, e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Não pode entrar em combustão ou chamas, sua pele é como couro ou folha verde.
COMER COGUMELOS
Você consegue identificar se qualquer comida ou bebida é tóxica ou não fazendo uma observação de 15min. Você não precisa tocar, mas precisa interpretar algo que faça metalógica durante o processo.
LÍNGUA UNIVERSAL
Consegue conversar com qualquer criatura com modificador de inteligência superior a 1 em qualquer língua, possuindo +5 em testes de Diplomacia.
ENRAIZAR
Se estiver a pelo menos 32m de alguma planta, pode conjurar a magia ENRAIZAR em uma quantidade de vezes por dia igual ao seu modificador de perspicácia sem gastar EM. O alvo tem direito a teste de Reflexos para resistir.

Parvus
Habilidades de Raça
+6 de bonus em atributos, 2 de penalidade em um atributo
FLUIDEZ CORPÓREA
Você sabe dançar e tocar qualquer coisa – muito bem, usar floretes-agulha, espadas longas, floretes e arcos (curtos, longos e compostos), recebendo Treino em Arma em duas dessas armas sem consumir seus pontos de talento. A escolha das duas armas deve acontecer antes de a ficha ser finalizada e não pode ser modificada.
SORTUDO
Você recebe, por uma quantidade por dia igual ao seu modificador de carisma, a chance de usar sua sorte em qualquer teste. O uso deve ser anunciado antes da rolagem dos dados. Sua sorte é de 4+1 por nível (incluindo o nível 1, no qual sua sorte é 5)
ATLETA
Para Parvus, a perícia Atletismo não é baseada em Força, mas em Agilidade.
ENGENHOSO
Você consegue entender o funcionamento de qualquer engenhoca não-mágica gastando duas horas observando-a, mesmo sem tocá-la.

Humano
Habilidades de Raça
+2 em 3 atributos à sua escolha
3 talentos adicionais à escolha do jogador.
2 perícias treinadas extras, que não precisam ser escolhidas entre suas perícias de classe. Caso escolha o talento Herança, você pode pegar uma habilidade racial de qualquer raça de Pluralyiah.
ADAPTAÇÃO
Você tem +7 em testes para aprender qualquer coisa.

Você recebe o talento Poder Concedido, mas uma divindade deve ser adotada como sua padroeira.

MAGMARÉU
Habilidades de Raça
+3 constituição, +3 força, -2 agilidade
Magmaréu são criaturas filhes de elementais do fogo, seu toque é capaz de queimar, seu andar capaz de derreter a neve. Magmaréis são resistentes e fortes, mas pouco ágeis.
CORPO REVESTIDO
Você ganha +7 de classe de armadura, sua pele é revestida por magma. Você é imune a dano de calor, fogo, e lava.
TOQUE AQUECEDOR
Você pode, por uma quantidade igual ao seu modificador de Constituição por dia, expelir partículas de magma em inimigues que causam 1d6 de dano, você também pode utilizar disso para acender fogueiras
EXPLOSÃO MAGMIFICENTE
Ao desmaiar por dano provindo de um ataque inimigo, emana uma explosão gélida de 9m que causa 1d20 de dano em quem estiver em volta, aliados tem direito a uma ação bônus para tentar escapar
FOGO AMIGO
Pode transformar seu corpo em magma resfriado para poder conviver com humanos numa quantidade de vezes igual ao seu modificador de constituição por dia

Medusa
Habilidades de Raça
+4 perspicácia, +2 agilidade, -2 carisma
Medusas são criaturas com cobras no lugar de suas cabeças, muitos as temem pelas Medusas anciãs, capazes de transformar inimigues em pedra
OLHOS POR TODA PARTE
Você e suas serpentes conseguem enxergar por 15m em 360º, mesmo no escuro, mas não ignoram camuflagem total.
OLHAR PARALISANTE
Por uma quantidade de modificador de Carisma +1 por dia, você pode, como uma ação completa, se estiver olhando nos olhos do alvo, deixar o alvo sob efeito de Encanto. A partir do nível 9, a criaturas de 1d10 níveis são petrificadas se estiverem olhando para você. Recebe +5 em testes de intimidação.
MEIO-ANIMAL
Você consegue falar qualquer língua elemental ou silvestre. Seu deslocamento aumenta em 3m.
ATAQUE NATURAL
As serpentes de sua cabeça podem, utilizando uma ação de movimento, atacar, causando 1d6 de envenenamento + 1d6 de dano perfurante com suas presas. Utilizar esse ataque penaliza suas jogadas de ataque no mesmo turno em -2.

MEFITE
https://preview.redd.it/jvon7oz8y4g51.png?width=567&format=png&auto=webp&s=4f3982e99a0d4d11578086ff56182d2c8da946e9
Habilidades de Raça
+3 força, +3 agilidade, -2 carisma
Mefites são criaturas do tipo MONSTRO, magias que só afetam humanes não tem efeito sobre Mefites.
ALMA GÉLIDA
Você é imune a afogamento e dano de gelo/frio, tem penalidade 3 em dano de calovapocombustão, mas não entra em chamas ou combustão por ter uma pele membranosa.
ASAS FRESCAS
NÃO PODE VOAR ACIMA DE 3M, MAS PODE PLANAR EM QUALQUER ALTURA.
LUFO GLACIAL
Pode, por uma quantidade igual ao seu modificador de Carisma/dia, lançar LUFO GLACIAL, uma magia em área de cone de 6m que causa 5+2d4 de dano frio. Um teste de reflexos pode ser realizado para levar apenas 5 de dano. Ao desmaiar por dano provindo de um ataque inimigo, emana uma explosão gélida de 9m que causa 1d20 de dano em quem estiver em volta, aliados tem direito a uma ação bônus para tentar escapar
ATAQUE NATURAL
Possui mãos com membranas entre dedos e garras no lugar das unhas, tem bônus +3 para teste de acerto, se acertar, causa 1d4+1 de dano físico e 1d4+2 de dano de frio/gelo.

Minotauro
Habilidades de Raça
+5 força, +3 agilidade, -4 perspicácia
Definitivamente a raça mais brigona de Pluralyiah, E ELES SÃO BONS NISSO.
MEU DIÁLOGO É NA BASE DA PORRADA
+7 em qualquer jogada de ataque físico, +2 em classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido.
É QUE EU SOU MEIO TOURO
Medo de altura. Caso tenha que subir qualquer altura superior a 3m (ou se estiver a até 3m de uma queda desta altura), um minotauro sofre penalidade de -4 em suas jogadas e testes. Ele também não pode realizar nenhuma ação que dependa de concentração, como conjurar magias ou ler.
TO SENTINDO UMA TRETA...
+6 em testes para rastrear com faro, +8 em testes para não se perder.
ARMA NATURAL
Você pode utilizar atropelar ou chifrar como ação completa, dobrando seu deslocamento durante a ação e causando 1d12 de ano, mas perdendo uma ação de movimento no próximo turno.

REPTILIANES
Habilidades de Raça
+2 em 3 atributos à sua escolha
Reptilianes são filhes de raças meio-humanas que, ao longo dos milênios, evoluíram para uma raça forte e independente.
PENALIDADE: SEM PERNAS
Você não pode cavalgar ou usar armadura completa, apenas a parte de cima, mas sua cauda admite que sua velocidade de deslocamento base seja de 13m.
ARMADURA ERRANTE
Reptilianes recebem +4 de classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido, mas seu deslocamento diminui em 3m em terrenos gélidos. Você ganha +5 em testes para resistir a venenos.
ARMA NATURAL
Reptilianes têm uma arma natural de cauda (dano 1d6, esmagamento). Ume reptiliane pode atacar com a cauda e armas na mesma rodada, mas sofre uma penalidade de –2 em todas as jogadas de ataque. Além disso, você pode gastar uma ação padrão para usar sua cauda como uma espécie de mola e pular até 2m de altura sem receber dano por queda, tendo também +6 em testes de escalagem.
QUATRO BRAÇOS
Autodescritivo. Você tem quatro braços. Isso não te da mais ações, apenas te permite carregar mais coisas.

Geeny
Habilidades de Raça
+4 carisma, +2 agilidade, -2 força
Você é um filho da magia, e tem clara aptidão para isso. Além disso, é muito sociável e se esgueira por qualquer conversa, sendo assim, brigar não é o seu forte. AH! Geenies não gostam de muita roupa, pouca roupa facilita o vôo.
MARCA ARCANA
Você tem uma espécie de símbolo arcano em alguma parte de seu corpo, indicando sua origem mágica.
FILHO DA MAGIA
Pode lançar a magia Leque Cromático OU Transmutação Arcana por uma quantidade de vezes igual a 1+ metade arredondada para inferior do seu modificador de Carisma. Uma vez no dia feita essa escolha, só poderá ser modificada após dormir.
MEU HOBBIE? EU VÔO ÀS VEZES
Geenies podem lançar vôo por uma quantidade de vezes igual a 1+ seu modificador de agilidade por dia. Pousar ao chão te tira uma quantidade de vôo. Você está sempre sob o efeito do talento Queda Suave.
FAÇA-ME UM PEDIDO
Mesmo não pertencendo a uma classe conjuradora, Geenies podem lançar qualquer magia como se pertencesse a uma classe arcana, incluindo níveis: mas alguém precisa pedir. Caso já pertença à uma classe conjuradora, você não gasta EM para lançar essas magias, mas só pode lançar magias do nível de conjurador. Isso só pode ser feito duas vezes por dia, e o pedido pode ser negado.
ISSO É... MÁGICA?
Geenies sempre sabem quando um objeto ou lugar tem magia sem precisar de um teste para identificar magia, mas precisam lançar um teste de identifica magia para saber qual é a magia, tem +5 de bônus para realizar esse tipo de teste.

Sereia/tritão
Habilidades de Raça
+3 carisma, +3 agilidade
MESTRE DOS MARES
Você pode utilizar a magia Compreender Idiomas em qualquer criatura aquática com modificador de inteligência superior a 2, além disso, enxerga completamente em escuridão, incluindo camuflagem total por até 32M
ENCANTO
Você ganha um uso da magia seduzir em qualquer raça, gênero ou etnia, para resistir, e alve deve passar em um teste de CD15 (+ o modificador de carisma de conjuradore). Caso e alve falhe no teste, atenderá a qualquer pedido cortês, lascivo ou carnal de conjuradore por duas horas. Uso ilimitado por dia, mas uma vez utilizado em alguém e alve estará imune ao encanto por até acordar novamente.
OSCILAR
Seus ancestrais passavam a vida lutando nas águas, então, fora delas, seus ataques têm mais poder e pressão. Pode nadar com deslocamento de 14m e envenenar suas garras para usá-las como ataque natural numa quantidade de vezes por dia igual a 1+ o seu modificador de constituição.
LUTA LIVRE
Quanto mais aquodinâmicas as armas, melhores. Recebe +2 de dano e em
rolagens de dano com azagaias, lanças e tridentes, além disso, para você essas são consideradas armas intuitivas.

REPROBI
Habilidades de Raça
Superegóicos: +3 perspicácia, +3 agilidade
Idéicos: +3 carisma, +3 agilidade
Antes do nível 3: +2 agilidade, +2 agilidade, +2 carisma
Reprobi são filhos de divindades com humanos, o que não significa que sigam o que a sua divindade prega. Muitos, inclusive, são filhos revoltados por serem negados aos céus e ao inferno.
CANALIZAR DIVINDADE
Caso seja um Reprobi Superegóico, canaliza energia moral, caso seja um Reprobi Idéico, canaliza energia imoral. Tal energia cura criaturas de mesma energia em 1d10 e fere criaturas de energia diferente em 1d10. Isso gasta uma ação de toque completa e você pode se curar.
HERANÇA DIVINA
Chegando ao nível 3, você escolhe que lado seguir, egóico ou superegóico. Sua tendência não pode estar a mais que 3 alinhamentos de distância do lado escolhido, idéicos recebem asas etéreas brilhantes, superegóicos recebem asas etéreas negras. Você voa com o triplo de deslocamento de movimento em terra. Você pode negar seu lado divino e manter seus atributos normais, mas sem receber asas.
AERODINÂMICO.
Maças-estrela são armas intuitivas para você, recebe +3 em dano e testes para utilizar armas de arremesso, arco-e-flecha e/ou maças-estrela. Além disso, por precisar constantemente de oxigênio para se manter voando, seu pulmão é maior que o normal, ganhando +4 em testes para resistir a sufocamento e afogamento.

Você recebe o talento Poder Concedido duas vezes, mas uma divindade deve ser adotada como sua padroeira.

ALLIGATOR
Habilidades de Raça
+4 agilidade, +2 força, -2 carisma
FEROZ
Recebe +5 em testes de intimidação e enganação, ninguém sabe o que esperar de ume Alligator. Além disso, pode fabricar lanças achando os componentes em 1d4 horas pra cada 10 lanças.
CASA É TODO LUGAR
Você não recebe penalidade por andar ou lutar em terreno difícil – o que não significa que você não sinta penalidade por ser exposte a frio ou calor contínuos, e tem +3 em testes de acrobacia e atletismo. Não pode entrar em combustão ou chamas, sua pele é como couro ou folha verde.
ATAQUE NATURAL
Reptilianes têm uma arma natural de cauda/garras (dano 1d6, esmagamento/perfurante). Ume reptiliane pode atacar com a cauda e armas na mesma rodada, mas sofre uma penalidade de –2 em todas as jogadas de ataque. Além disso, você pode gastar uma ação padrão para usar sua cauda como uma espécie de mola e pular até 2m de altura sem receber dano por queda, tendo também +6 em testes de escalagem.
DURO NA QUEDA
Reptilianes recebem +4 de classe de armadura, sua pele é feita de couro rígido, mas seu deslocamento diminui em 3m em terrenos gélidos. Você ganha +5 em testes para resistir a venenos.

https://www.reddit.com/Pluralyiah_RPG/collection/87c70ef3-79e0-44db-b7b3-21c877255b0b
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2020.08.08 01:49 mulhermedrosa Sou lésbica e não entendo

Oi pessoal. Preciso muito desabafar, porque estou me sentindo muito mal mesmo. Eu espero de coração não ofender ninguém porque estou sendo sincera sobre minhas próprias questões, e não tenho nada a ver com a vida de ninguém a não ser a minha.
Eu tenho 34 anos e sou lésbica. Me assumi como lésbica aos 16 quando entendi que não queria nenhum tipo de homem na minha vida, nada do sexo masculino, não queria relação com órgão masculino. Para mim é uma sexualidade e sempre teve a ver com sexo, e não com gênero.
Foi muito difícil me entender como lésbica, entender o que eu sentia, forçar tentativa de relação com homens só para me sentir um lixo depois, sofrer preconceito na minha familia, correr de gente com barra de ferro na rua só por andar de mão dadas, ouvir xingamentos e ameaças por dar selinhos, nunca ter minhas namoradas aceitas nas festas de família, ouvir que eu não era mulher, tentativa de suicidio, enfim. Um inferno, tudo por não gostar de pênis e não querer um homem. Eu sentia muito medo.
Tudo melhorou quando um pouco mais velha eu encontrei espaços e grupos lésbicos, apenas para mulheres, que entendiam tudo que passei. Mulheres que se orgulhavam de serem lésbicas, que se orgulhavam de suas vulvas, de seu útero. Inclusive algumas namoravam homens trans e continuavam se considerando lesbicas, pq nunca foi sobre gênero. E minha saúde mental melhorou muito.
Mas agora, o movimento LGBT vem nos pressionando a usar a palavra "lésbica" para mulheres trans, e até a aceitar como relação lésbica a relação com um pênis. Mudaram a bandeira que a gente usava desde os anos 70 para tirar o triângulo que representava o útero. Os símbolos de vulva que usávamos com orgulho estão sendo chamados de transfóbicos. Nossa orientação sexual é a única que não envolvia pênis, a única onde eu me sentia confortável. É mês da visibilidade lesbica e meu feed tá cheio de imagens de relação que chamávamos de hétero (dois sexos diferentes) falando que é sexo lesbico. Isso é muito gatilho para mim e para muitas outras.
E eu não entendo. Porque não podemos manter a palavra lésbica só para nós, os espaços seguros só para nós? Esse nome, essa luta, esses símbolos são usados há décadas por fêmeas que gostam apenas de fêmeas para nos reunir, para nos proteger, para lutar pelos nossos direitos. Eu sinto medo de falar sobre isso com qualquer um fora da minha bolha lésbica porque sou atacada como transfóbica.
Eu realmente não quero ofender ninguém, eu quero direitos para todos, não quero que ninguém fique para trás, mas também não quero perder minha identidade. Isso tá me dando crises de pânico e me deprimindo.
Obrigada a quem teve paciência de ler.
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2020.08.05 14:39 lariodiniz Comunismo: Simplificando o Manifesto

A palavra “COMUNISMO” tem sido utilizada de forma pejorativa por pessoas intencionadas a distorcer o seu real significado. Dessa forma, é necessário apresentar as visões de mundo, os objetivos e as tendências do comunismo, para, assim, desmistificar a palavra e os homens e mulheres que lutam por ele.
1. A SOCIEDADE.
A luta de classes é uma constante na história, de um lado os opressores e de outro os oprimidos, em oposição. Essa luta ora termina em transformação revolucionária da sociedade, ora na destruição das classes em conflito.
Existem duas classes em confronto: (i) BURGUESIA, as pessoas deste grupo detém as grandes propriedades privadas e capital; (ii) O PROLETARIADO, que trabalham e, em troca, recebem salário para sobreviver.
Trabalho é uma atividade mental ou física que produz bens e serviços, ou seja, transforma a natureza para ser melhor aproveitada pela sociedade, todo trabalho necessita dos meios de produção, conjunto formado pelos meios de trabalho e os objetos de trabalho que incluem as fábricas, as ferramentas, as instalações, as matérias primas, os combustíveis e os meios de transporte. Desta forma dizemos que valor é o aproveitável, o útil na sociedade que foi gerado pelo trabalho.
Sobre a propriedade privada é importante esclarecer que somente é considerado nessa terminologia os meios de produção que pertencem a um indivíduo ou pequeno grupo de indivíduos que são utilizadas para explorar o valor gerado pelo trabalho alheio. Um meio de produção que pertence a todos os membros da sociedade é uma propriedade social.
Nesse sentido, a burguesia utiliza a propriedade privada para explorar o valor gerado pelo trabalhador, ou seja, no lugar de pagar o valor real do trabalho a burguesia paga o mínimo necessário para o trabalhador sobreviver e rouba o resto deste valor. A diferença do valor real de um trabalho e o que a burguesia paga pelo mesmo é chamada de mais-valia.
A burguesia transforma a mais-valia em capital, isto é, um tipo de poder social, que pode resultar em recursos ou mais propriedade privada. Importante salientar que somente quem detém o capital é capitalista, ou seja, ocupa a posição social de explorador do trabalho alheio na produção.
Também existe uma terceira classe que não está em confronto direto, chamada de pequeno-burgueses, é constituída pelos pequenos comerciantes, pequenos agricultores e donos de pequenas empresas que empregam trabalhadores assalariados, mas não tem grandes propriedades privadas e capital. Devido o avanço dos grandes burgueses, como quando abrem grandes franquias próximo aos pequenos comerciantes ou tomam as terras dos pequenos agricultores, os membros dessa classe são sempre transformados em trabalhadores para sobreviver e por isso estão do lado do proletariado na luta de classes.
Cabe esclarecer que os trabalhadores e os pequeno-burgueses não têm propriedade privada, porque casas, carros, celulares, computadores, roupas, etc, são consideradas propriedades individuais, ou seja, essa propriedade não é meio de produção utilizado para explorar o valor gerado pelo trabalho alheio.
O estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa, assegurando a propriedade privada apenas nas suas mãos. Através desse poder de controle da sociedade pela propriedade privada, a burguesia estabeleceu uma única liberdade: A do comércio.
Na sociedade atual os trabalhadores não têm propriedade privada, o acúmulo de capital pela burguesia é a única coisa que importa, fazendo com que a mesma explore o recurso de outros países mais pobres e com isso aumente seus ganhos, tirando assim o caráter nacional do trabalho e as leis, a moral e as religiões dominantes são meros artifícios que ocultam outros tantos interesses burgueses.
É necessário desfazer a SOCIEDADE BURGUESA para que o movimento proletário (autônomo e em proveito da maioria) se erga.
2 . OBJETIVO DO COMUNISMO
Nós comunistas estamos do mesmo lado dos trabalhadores, temos os mesmos interesses e os mesmos princípios, nós somos trabalhadores.
Distinguimos em apenas dois pontos: (i) Prevalência dos interesses comuns dos trabalhadores, independente da nacionalidade; (ii) Representação dos interesses dos trabalhadores na luta de classes contra a burguesia.
Nosso objetivo é a propagação da consciência de classe para todo o proletariado, ou seja, que todo trabalhador entenda que ele pertence a classe trabalhadora e que o mesmo está em constante conflito de interesses com a burguesia; a derrubada da supremacia burguesa e a conquista do poder político pelos trabalhadores.
Além disso, não queremos a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade privada que, repita-se, são as propriedades pertencente a burguesia que são utilizadas para roubar o valor produzido pelos trabalhadores e com isso gerar poder e dominação da massa, diversa da propriedade individual.
Outro objetivo é que os trabalhadores recebam pelo seu trabalho tudo que eles precisam para ter uma vida confortável e que os excedentes produzidos sejam utilizados para melhorar a vida de todos os trabalhadores.
Não queremos privar ninguém da sua parte do valor produzido pelo próprio trabalho, queremos que acabe a apropriação do valor do trabalho dos outros, não queremos o fim da produção, queremos o fim do acúmulo do capital na mão da burguesia, não queremos o fim da cultura, queremos o fim da cultura burguesa que é apenas um adestramento que transforma seres humanos em máquinas, não queremos os fim das leis, queremos o fim do direito burguês, que é apenas a vontade da burguesia transformada em leis.
Nós comunistas não queremos o fim da família, queremos o fim dos fundamentos da família burguesa que são: As mulheres como instrumentos de produção, objetos que os burgueses podem usar, tendo a sua disposição as mulheres trabalhadoras, a prostituição oficial e um singular prazer em conquistar as esposas uns dos outros.
Para a burguesia nossas crianças são simples artigos de comércio e a educação burguesa serve apenas para transformar nossas crianças em máquinas sem senso crítico, queremos a substituição da educação burguesa por uma educação pública e gratuita que incentive nossas crianças.
Queremos dar o poder político para os trabalhadores, tornando-os na classe que controla a nação, nessa medida, o comunismo é nacional, mas de modo algum no sentido burguês da palavra.
A supremacia dos trabalhadores fará os isolamentos e antagonismos nacionais entre os povos desaparecerem, com o fim da exploração dos seres humanos será suprimido também a exploração de uma nação por outra, com o fim da luta de classes, terá fim a hostilidade entre as nações.
Nada temos a dizer sobre a religião, filosofia e ideologia em geral, entendemos que ao mudarmos as relações de vida dos seres humanos, as suas relações sociais e existência social, mudam também as concepções de todos esses conceitos.
As ideias dominantes de uma época são ideias da classe dominante, logo, quando os trabalhadores forem a classe dominante eles definirão essas ideias.
Nós comunistas apoiamos em toda parte qualquer movimento revolucionário contra a burguesia. Em todos esses movimentos porém, colocamos em destaque como questão fundamental o fim da propriedade privada, alguns exemplos de movimentos revolucionários que apoiamos é a revolução Curda em Rojava, os movimentos Zapatistas no México e a insurreição Comunista da Índia.
Trabalhamos pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países, deixando clara a nossa opinião de que nossos objetivos só podem ser alcançados com o fim da exploração burguesa.
Acreditamos que a revolução comunista ocorrerá em duas fases. A primeira fase, que chamamos de socialismo, é os trabalhadores se tornando a classe dominante da sociedade, quando isso ocorrer o proletariado arrancará todo o capital da burguesia, centralizando todos os instrumentos de produção nas mãos dos trabalhadores e aumentará o mais rápido possível as forças produtivas. Para isso ocorrer algumas medidas serão postas em prática, elas serão diferentes para cada país, contudo, algumas delas poderão ser:
  1. Retirada das terras de quem tem grandes hectares e distribuição entre os trabalhadores.
  2. Imposto maior para os mais ricos e menor para os mais pobres.
  3. Fim do direito de herança
  4. Confisco da propriedade privada de toda a burguesia.
  5. Educação pública, gratuita e emancipatória para todas as crianças; Fim do trabalho Infantil.
Dessa Forma, se os trabalhadores se organizarem como classe, se tornarem a classe dominante e destruírem as relações de produção da burguesia, destruirão também as condições do antagonismo de classes, não existirá mais burguês e pequeno-burguês, todos serão trabalhadores e, com isso, destruirá sua própria dominação como classe.
Em lugar da sociedade atual, surgirá uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos, onde cada um produzirá o que pode, consumirá o que necessita e o excedente será usado para ampliar, enriquecer e promover a existência de todos, estaremos então na segunda fase da revolução, o comunismo.
Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Nela trabalhadores nada tem a perder a não ser as suas correntes, têm o mundo a ganhar!
Proletários de todos os países, uni-vos!
3. Apêndice.
Este texto foi escrito baseado no livro Manifesto Comunista / Teses de Abril da Editora Boitempo [1].
Seu intuito é simplificar e condensar as principais ideias do manifesto comunista em um linguajar mais simples e acessível para os dias de hoje servindo como um texto introdutório para os conceitos demonstrados no livro.
Para um aprofundamento nas ideias comunistas leia o Manifesto Comunista [2] e acompanhe alguns canais do youtube [3] e podcasts [4].
1: https://www.boitempoeditorial.com.bproduto/manifesto-comunista-teses-de-abril-692
2: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf
3:
4:
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2020.08.04 22:42 Mr_Libertarian Meia entrada, inteira estupidez, nenhuma vergonha

Por: Paulo Kogos
A legislação concernente ao “direito à meia-entrada” engloba uma quantidade desanimadora de projetos de lei, de medidas provisórias e de decretos-lei — um verdadeiro emaranhado jurídico. Trata de temas como emissão de carteiras estudantis, qualificação jurídica de estudante, definição dos tipos de estabelecimento e eventos que serão enquadrados. É a prova de que o estado, ao interferir nas trocas voluntárias das pessoas, gera erros que antes não existiam. Potencializa falhas que os legisladores insistem em remendar com leis adicionais, as quais geram novas falhas, sendo que bastava apenas revogar as anteriores. Defendo aqui a revogação da lei da meia-entrada.
Deparei-me com diversos sites de movimentos estudantis, e nele estão resumidos os sentimentos bárbaros que permeiam a mentalidade daqueles que aprovam essa determinação.
O primeiro argumento é o de que a meia-entrada é lei, como se algumas das maiores atrocidades da História não houvessem sido cometidas em nome das leis impostas pelos estados. Elas violam os direitos naturais dos indivíduos. Trata-se de legislação criminosa. É impossível concluir que há o dever de cumpri-la por meio de um argumento legal positivista. Ao contrário: há um dever moral de descumpri-la. Conforme lembra Thomas Jefferson, quando a injustiça se torna lei, a resistência se torna um dever. Uma solução bonita já praticada em alguns eventos é estender a meia-entrada a todos, afinal não há legislação que impeça isso. Basta dizer que o preço base é o dobro do preço praticado e não há nada que os legisladores possam fazer a respeito.
Outro bordão repetido constantemente é: “meia-entrada: um direito do estudante brasileiro”. Falácia. O estudante não possui direito à meia-entrada. Aliás, ele sequer possui o direito de entrar em um cinema ou teatro. Uma casa de espetáculos é propriedade privada do seu dono, assim como uma residência, plantação ou consultório médico. O uso econômico que o proprietário faz de seu imóvel não altera sua natureza privada e ele deve poder decidir quem nele entra. Ninguém tem o direito de entrar na residência de uma pessoa, e o mesmo vale para um cinema.
É possível, contudo, que o proprietário de um estabelecimento, ao buscar o lucro, firme um contrato com um indivíduo, permitindo que ele adentre o local mediante um pagamento. O dono do local tem o direito de exigir a quantia que quiser, e o consumidor decide se aceita ou não a oferta. O preço justo é aquele que resulta de um acordo voluntário entre as partes. Obrigar o empreendedor a adotar uma determinada política de preços é um ato de agressão. É uma violação do seu direito à propriedade privada, um direito negativo que impõe aos agentes externos a obrigatoriedade de não violá-lo. Direitos positivos tais como “direito à meia-entrada” impõe a terceiros uma obrigação de supri-los, conflitando com o direito negativo à propriedade. A lei deve proteger os direitos negativos apenas. Conforme nos explica Frédéric Bastiát em A Lei, um uso alternativo da legislação terá efeitos indesejáveis:
Quando a lei e a força mantém um homem dentro dos limites da justiça, elas o impõe nada mais que uma mera negação. Apenas o obrigam a se abster de causar dano. (…) Mas quando a lei, por intermédio de seu agente necessário – a força – impõe uma forma de trabalho, um método ou matéria de ensino, uma crença, uma adoração, ela não é mais negativa, ela age positivamente sobre os homens (…) Eles não mais terão necessidade de consultar, comparar ou prever; a lei faz tudo por eles. O intelecto se torna um fardo inútil; eles deixam de ser homens; eles perdem sua personalidade, sua liberdade, sua propriedade.
Há um órgão chamado Delegacia da Meia-Entrada, da UJE (União dos Jovens e Estudantes), cuja função é incitar estudantes a denunciar os estabelecimentos culturais e esportivos que não se adequarem à legislação da meia- entrada. Uma sirene de polícia serve como vinheta para o vídeo institucional do órgão. O empreendedor é visto como um inimigo em potencial, senão como um criminoso, sendo que tudo o que ele faz é sacrificar seu tempo e arriscar seu capital para fornecer serviços de entretenimento e cultura ao consumidor, visando o lucro. No auge da opressão socialista na Alemanha Oriental, um em cada seis adultos era informante do governo. A atitude dos movimentos estudantis lembra a dos informantes da Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã.
Thomas Sowell certa vez disse que “A primeira lei da economia é a escassez. A primeira lei da política é ignorar a primeira lei da economia”.
A constatação de Sowell é clara no que diz respeito à Lei da Meia Entrada. Cinemas, teatros e shows são escassos. Qualquer intervenção estatal nos preços do setor gerará distorções que prejudicarão produtores e consumidores dos serviços de entretenimento.
Podemos deduzir da praxeologia que as empresas de cinema, teatros e shows estão lucrando menos do que lucrariam na ausência da lei, pois do contrário seus gestores aplicariam suas determinações voluntariamente. Empresários buscam maximizar o lucro de suas empresas. Menor lucratividade em um setor da economia implica necessariamente menor reinvestimento, menor atratividade para potenciais concorrentes e menores salários.
Menor reinvestimento acarreta redução na implantação de novas tecnologias e de métodos gerenciais que aumentariam a qualidade dos serviços prestados ou que reduziriam custos devido ao aumento na eficiência das operações. A menor atratividade reduz a concorrência, que é justamente a força que pressiona as organizações a inovar, abaixar seus preços e melhorar seus serviços. Pequenos empreendedores ficarão de fora do mercado. Hoje algumas poucas empresas controlam a quase totalidade dos cinemas. Salas baratas em bairros de periferia ou cidades do interior enfrentam dificuldades de se manter, sendo que muitas fecharam as portas. Antes desta legislação não só havia salas de cinema mais acessíveis como também era comum que pessoas de baixa renda fossem às mesmas salas frequentadas por pessoas de alta renda. Hoje, o Brasil, único país com lei de meia-entrada, apresenta os ingressos mais caros do mundo. Uma ida ao teatro, por exemplo, requer certo grau de planejamento financeiro.
Os menores salários pagos aos empregados do setor, um efeito que a esquerda estudantil se recusa a comentar, afetam todos os salários da economia. Os assalariados de outra indústria poderiam querer migrar para o ramo de eventos se a remuneração fosse maior, o que forçaria os empregadores a aumentar os salários daquela indústria se quisessem reter a mão-de-obra.
A lei da meia-entrada nada mais é que uma discriminação de preços imposta pelo estado. Essa prática já é adotada voluntariamente por empreendedores em diversos mercados. Casas noturnas costumam cobrar um ingresso menor de mulheres. Uma maior proporção de mulheres aumenta a atratividade da balada e o dono do local aufere maiores lucros ao discriminar preços por gênero. O mesmo acontece com as promoções do tipo “leve 3, pague 2”. Aqui a discriminação é relativa à quantidade comprada. O comerciante percebe uma elevada elasticidade na demanda de parte da sua clientela e lucra com esse tipo de oferta. Alguns estabelecimentos americanos oferecem descontos para veteranos de guerra. O motivo pode ser um apelo de marketing ou o patriotismo do empresário, mas o fato relevante para a economia é que, sendo uma decisão voluntária, é ela que maximiza a utilidade dos agentes envolvidos na troca.
Cabe ao empreendedor decidir se adotará uma estratégia de discriminação de preços, qual será ela, qual será o público-alvo e como ela será implantada. Em um mercado desregulamentado de cinemas, por exemplo, poderia haver cinemas especializados no público infantil, que exibiriam animações e ofereceriam descontos às babás. Outros seriam voltados para pessoas idosas e teriam maior facilidade de acesso. Haveria promoções de dia dos namorados, com filmes românticos o dia inteiro e desconto para os homens. Poderíamos nos deparar com salas especializadas em filmes cult ou mesmo em documentários. Estas seriam as principais candidatas a ter parcerias com escolas e universidades, oferecendo descontos aos estudantes de forma voluntária (e com uma genuína razão de existir).
O modus operandi estatal, porém, engloba todos os indivíduos com uma regulação que mina a iniciativa, a flexibilidade e a imaginação empreendedora. A precisão do cálculo econômico do empreendedor, sua propensão a assumir riscos e a necessidade de inovar são prejudicados, dificultando a existência desses arranjos.
Quando o estado força uma política de discriminação de preços, ele está se apoderando do papel do empresário, mas sem o seu incentivo de alocar recursos eficientemente para auferir lucros, e sem o conhecimento específico do mercado onde ele atua. O burocrata é um ignorante de todos os mercados. A lei da meia-entrada é um ato de planificação econômica que necessariamente terá um efeito predatório sobre a economia.
Engana-se o estudante que acredita estar obtendo alguma vantagem com a meia-entrada. A legislação não pode alterar os custos do produtor. Se o governo obrigá-lo a cobrar meio ingresso de uma pessoa, ele aumentará o preço base do ingresso para minimizar a perda de receita. Todos os outros pagantes arcarão com o custo. No Brasil, quase a totalidade dos ingressos vendidos em cinemas, teatros e shows são meias-entradas, que por isso custam praticamente o dobro do que poderiam custar imediatamente após a revogação dessa lei. O mercado ainda absorveria efeitos benéficos adicionais advindos da desregulamentação, que reduziriam ainda mais os preços.
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que limita a meia-entrada a 40% dos ingressos vendidos. Segundo os autores do projeto, a imprevisibilidade da demanda por meias-entradas é assim mitigada, permitindo que o empresário reduza os preços da admissão. Embora este argumento seja verdadeiro, o projeto de lei não resolve o problema. A agressão continua existindo, juntamente com todos os efeitos encarecedores do ingresso gerados pela menor lucratividade do setor e pelo ajuste do preço para mitigar a perda de receita.
Haverá ainda outra consequência nefasta. As pessoas correrão para comprar os ingressos com antecedência antes que a cota de 40% acabe. É provável que haja um esgotamento mais rápido de todos os ingressos, o que exigirá do consumidor um maior gasto com informação e planejamento. A corrida também poderá induzir um aumento dos preços, bem como a maior presença de cambistas.
Uma pessoa racional deve enxergar a hipocrisia por trás desta legislação, que diz proteger o idoso e o estudante, mas faz exatamente o contrário. Esta segregação das pessoas em categorias é uma mera abstração, que serve apenas à estratégia do estado de dividir para conquistar. Na prática, todos arcam com os custos do intervencionismo, mais cedo ou mais tarde. Um estudante não será estudante para sempre. Durante a maior parte da sua vida ele não o será, sendo obrigado a pagar um ingresso maior que o de um mercado desimpedido, seja o preço maior inteiro para si próprio ou a metade de um preço maior para os seus filhos.
O idoso pagará metade de um preço maior utilizando a poupança que acumulou ao longo da vida. Esta poupança é menor do que seria sem a lei da meia-entrada, pois ele passará a maior parte da vida pagando o preço maior inteiro. Aritmeticamente a legislação não faz o menor sentido.
Por derradeiro, refuto a ideia de que a lei da meia-entrada incentiva à educação. Tal afirmação é autocontraditória. Consideremos que a sólida ciência econômica e o forte senso de ética e moral fazem parte de um bom processo educativo. Uma legislação baseada em falácias econômicas e que incita à aquisição de vantagens gratuitas mediante agressão é, logicamente, antieducativa.
Mas nem todos saem perdendo. As organizações emissoras da carteirinha de estudante, que terão seu oligopólio assegurado pelo novo projeto de lei, ganharão muito dinheiro. Os políticos e burocratas também se beneficiam com os votos do curral eleitoral estudantil. É este o único objetivo dos legisladores. Se a intenção fosse nobre, bastaria reduzir os impostos, que são responsáveis por quase metade do preço dos ingressos. Os defensores de uma lei de meia-entrada, com ou sem cotas, estão apoiando estes interesses impudicos e indo contra os interesses legítimos dos indivíduos honestos.
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2020.07.28 04:12 assis96 Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro

O Esperanto é uma língua artificial criada pelo médico oftamologista Lázaro Luiz Zamenhof e nascida no ano de 1887 pela publicação do livro "Internacia Lingvo". Zamenhof nasceu na cidade de Bialystok, atualmente na Polônia, mais especificamente próximo a fronteira onde hoje se encontra a Bielorrusia, Lituânia e Kaliningrado (território russo). Ele era judeu, seu pai era professor de alemão e francês, em razão do meio social e geográfico, desde pequeno conviveu com várias línguas: iídiche, russo, polonês, alemão, hebraico, francês. Lázaro tinha inclinação e facilidade em aprender línguas, cresceu em um ambiente onde problemas de comunicação, preconceito linguístico e étnico eram uma constante. Nesse contexto, sentiu-se impelido a buscar uma solução para esses conflitos por meio da criação de uma língua nova, neutra, fácil e democrática.
Apesar de eu não ser um falante do Esperanto, nem ter contacto com esperantistas, sei que há inúmeros estudos de conceituados linguistas que apresentam pontos tecnicamente favoráveis ao ensino e difusão do Esperanto como língua viável para ser adotada pela comunidade internacional. Se não fosse assim, ele não seria a língua planejada mais falada do mundo e a ONU nem teria recomendado em 1985 sua difusão entre seus países-membros. Esse artigo não visa apresentar a viabilidade do Esperanto do ponto de vista técnico linguístico, visa sim mostrar a possibilidade real da materialização do sonho esperantista no mundo tendo como base a História, a evolução da cultura ética-moral dos povos e a revelação espírita.
Antes de avançarmos na argumentação é preciso ter em conta que estou escrevendo em português, em uma rede social relativamente popular no mundo ocidental e em um canal de comunicação onde o inglês é dominante. Bem provável, os leitores desse artigo podem ser caracterizados como pessoas esquisitas (em inglês WEIRD, sigla em referência a pessoas western, educated, industrialized, rich and democratic) que não retratam a ampla realidade social do mundo. Inevitavelmente sou ocidental, tenho acesso a educação superior, estou integrado em uma sociedade industrializada e nativo brasileiro, apesar dos pesares, um país rico e ainda democrático. A verdade é que não conhecemos de fato o mundo todo, o que a gente pensa que sabe do mundo é muito pouco e extremamente deturpado do que realmente é o nosso planeta. Por mais que tenhamos acesso a internet e programas que falem como é a vida dos outros povos e países, não podemos dizer que sabemos com propriedade como é a vida e cultura dos outros povos e países. O mundo é bem mais complexo e diverso do que a gente imagina, são inúmeras religiões, tradições, línguas, climas, histórias, economias, políticas, filosofias, etc. Queremos refletir sobre uma língua que se aplique no mundo como um todo e não apenas no lado ocidental, para pessoas WEIRD.
Agora posso começar a explicar "Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro". Primeiro, vamos nos basear na História, hoje a língua internacional é o inglês, mas em outras épocas poderíamos considerar o latim e o grego. O paradigma materialista econômico aceito pela maioria dos homens permite a qualquer país ou nação que se tornar mais influente, mais forte e dominante, submeter as demais nações ao julgo de sua cultura e consequentemente de sua língua. É claro que o mundo nunca antes em sua História esteve tão globalizado e internacionalizado como nos dias de hoje, nesta singularidade dos nossos tempos são as nações de língua inglesa as detentoras de grande poder na política mundial, por isso o inglês está sendo a língua internacional mais forte e em melhor opção para se estabelecer em definitivo como língua global. Todavia, precisamos ampliar nossa visão de tempo e aprender com a História. Não podemos pensar no futuro considerando apenas os últimos 150 anos de glória das nações anglo-saxãs. Por mais que estes últimos 150 anos de nossa história sejam os mais intensos e impactantes no globo como um todo, o futuro ainda está em aberto, rapidamente pode ocorrer uma inusitada mudança de ordem política-econômica-cultural.
Se voltássemos no tempo há 2000 anos e discutíssemos sobre qual seria a língua internacional do futuro, um cidadão do império romano muito provavelmente não diria ser o Inglês. Quem visse o império romano de dois milênios atrás dificilmente poderia imaginar que hoje ele estaria em ruínas. Por que não poderíamos aplicar esse exemplo nos dias de hoje? Todos os impérios que passaram pelo planeta tiveram seu tempo de nascer, crescer, atingir um ápice, declinar e morrer. O império consolidado pelas línguas inglesas seriam uma exceção? Uma língua que se propõe a ser duradoura e "universal" deve se associar ao mundo das ideias primeiro antes do mundo físico. O mundo físico é transitório, efêmero, está em constante mudança. O mundo das ideias é imperecível, você pode matar um homem, mas não consegue matar uma ideia. Foi essa essência ideológica forte que fez o cristianismo se estabelecer hoje a religião com maior número de adeptos no mundo. Eu comparo os esperantistas de hoje como os cristãos do século II, 133 anos depois da morte de Jesus de Nazaré na cruz. No século II, poucas pessoas levavam o cristianismo a sério, ele era uma minoria, a maioria dos homens e nações de fama do século II não apostariam nas imensas proporções e desdobramentos que o cristianismo seria capaz de acarretar no futuro da humanidade. Por que hoje, no segundo século do nascimento do Esperanto poderíamos duvidar do potencial dessa nova ideologia?
Lembramos do cristianismo e agora para ilustrar o problema da evolução ética-moral da cultura dos povos, vamos pensar na cultura Islã. Não podemos pensar no mundo ignorando a cultura do islamismo, os muçulmanos são tão expressivos numericamente quanto os cristãos, há projeções estatísticas que indicam uma ultrapassagem do Islã ao cristianismo em número de adeptos até o fim deste século. O Islã tem preferência pelo idioma árabe, isso em virtude do Alcorão, seu livro sagrado, ter sido revelado pelo profeta Maomé em árabe e também pela beleza sonora de se ouvir a declamação dos textos contidos no Alcorão no idioma original. A cultura dos países de predomínio muçulmano também possui forte influência do idioma árabe. Muito dos valores morais dos países de predomínio do idioma inglês são bem diferentes e até mesmo antagônico aos valores morais da cultura árabe, sem falar dos recorrentes conflitos políticos entre as nações desses dois mundos linguísticos diferentes. Sabendo dessas hostilidades históricas, da expansão de ambas as culturas, como conciliar por parte dos muçulmanos a supremacia internacional do inglês ao árabe ou vice-versa?
A evolução ética-moral da cultura dos povos mostra que século após século o homem avança um pouco mais no desenvolvimento de suas leis, de seus costumes, de seus conhecimentos e culturas. A Declaração do Direito dos Homens é um exemplo, a valorização das mulheres e o combate ao preconceito racista outro exemplo de avanço da mentalidade humana. A evolução do conceito de Justiça é a alavanca ética-moral dos povos e com base nessa ideia o Esperanto ganha força e tem destino promissor. O Esperanto não é apenas uma língua planejada, o Esperanto representa uma filosofia, um modo de pensar, um estilo de vida que tem como objetivo principal não ter supremacia em relação a outras filosofias, línguas e estilos de vida, mas sim colaborar com a fraternidade entre os povos e nações do mundo todo por meio de uma comunicação em língua neutra. Muitos podem dizer que a língua Inglês, ou qualquer outra língua, também busca colaborar com a paz na Terra e fraternidade entre os homens, não duvido dessa intenção, mas há um problema intrínseco nessa boa intenção que fere o conceito de orgulho dos homens e quando o orgulho dos homens é ferido dificilmente há fraternidade. Todos nós temos orgulho, querendo ou não, não gostamos de nos sentir ou pensar que valemos menos do que os outros, na verdade os seres humanos não devem ser vistos como inferiores ou superiores uns aos outros, mas sim como seres únicos, como "fim em si mesmo" nos dizeres do filósofo Kant. Da mesma forma vejo as línguas, elas também expressam os indivíduos e povos, cada língua deve ser vista como um "fim em si mesmo". O Esperanto não fere a dignidade de nenhum povo justamente porque ele não está associado a nenhum povo ou país em específico, o Esperanto é mais despersonalizado, mais neutro do que qualquer outra língua, por isso poderia melhor colaborar com a fraternidade entre os homens.
Por fim, mas não menos importante, ressaltamos o caráter da revelação espírita em aprovação e consonância com a difusão do Esperanto. Sem pretensões, posso dizer que tenho um pouco mais de conhecimento de causa do Espiritismo, afinal nasci e cresci em família espírita e também sou bem integrado ao movimento espírita de minha cidade. Emmanuel, um dos principais espíritos responsáveis pela divulgação do Espiritismo no Brasil, juntamente com o médium Chico Xavier, em várias mensagens reforça o valor do Esperanto e incentiva seu estudo. Não só Emmanuel, mas vários outros espíritos nobres por meio de diversos médiuns respeitáveis dos mais variados lugares do mundo e em vários momentos diferentes desde o nascimento do Esperanto em 1887 são coerentes em acreditar no projeto esperantistas para solução dos problemas de comunicação entre os povos.
O Espiritismo defende a ideia da evolução moral e espiritual do planeta Terra, atualmente viveríamos em período de transição entre duas fases claramente distintas, de maneira geral, estaríamos saindo do estágio de mundo de provas e expiações (onde há predominância do mal sobre o bem) para o estágio de mundo de regeneração (onde o homem teria mais consciência da necessidade de viver a fraternidade). O Espiritismo diz que nesse terceiro milênio a humanidade estaria predestinada a viver a sua regeneração e, para tal período, os espíritos responsáveis pela condução deste processo já teriam definido e legitimado o Esperanto como a língua do estágio de regeneração. Mesmo havendo espíritas encarnados que não levem a sério o Esperanto, muitos inclusive gostariam que houvesse uma retratação por parte das instituições espíritas que defendem a difusão do Esperanto, a contragosto os espíritos desencarnados guias do Espiritismo continuam acreditando e convocando os homens ao ideal esperantistas de fraternidade. Em síntese, esses espíritos superiores dizem que não é conveniente para o período de regeneração da Terra a apropriação de um idioma (inglês, por exemplo) contaminado por impressões deletérias desagregadoras devido o seu uso em ações de domínio cultural, político e econômico. Esses guias da humanidade, mereceriam nossa consideração em razão de possuírem uma visão liberta da transitoriedade do mundo material, mais ampla e nítida da realidade dos fatos, diferente de nós, encarnados, que temos a visão embotada pelos preconceitos.
Enfim, diante do exposto, digo com tranquilidade, com segurança e esperança: O Esperanto será a língua internacional do futuro! Digo isso não porquê sou espírita e os espíritos também acreditarem nisso. Digo isso porquê vejo lógica e razão em acreditar nisso. Quando será esse futuro? Isso não sou capaz de precisar, mas arriscaria dizer que esse futuro seja daqui uns 200 anos, quem sabe? 200 anos na história da humanidade é logo ali.
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2020.07.18 13:16 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.07.18 13:14 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.07.10 00:46 HairlessButtcrack O BLM fez-me racista

Não teve nem 10 minutos no outro sub, quiz por aqui para ter outras perspectivas.
Fui criado a tratar todos da mesma maneira e julgar as pessoas ao nível das suas acções. Sempre tive isso como um dos meus pilares morais.
Ao crescer sempre vi pessoas a terem comentários de merda como "há e tal isso são coisas da tua cabeça", "ha e tal nasceu mulato mas tem olhos verdes já viste!?", "(estava a mandar vir com ele) e mandou me à merda", "ela é gira mas é burra e antipática", "não sabe coser nem cozinhar o marido é que faz tudo" entre outros. Estes sempre foram comentários que ou eram parvos para quem tinha a pele mais rija ou ofensivos para os outros. Às vezes acabavam com altercações mas pronto a malta aprendia.
Fui educado com valores católicos, um dos que me foi bem embutido foi "não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti" que para quem tem carro na cidade parece ser algo que nenhum condutor conhece.
"Quem nunca pecou que atire a primeira pedra" ou "não acredites em tudo o que ouves" que até há pouco tempo eram ícones na língua portuguesa mas agora já não. Agora basta ouvir "racista", "homofóbico", "nazi", "neo-", "sexista", "facho", "violador" que tudo o que é razão vai pela janela.
A isso entra um novo problema completamente importado dos Estados Unidos, "ismo sistémico" que não é ismo é um bicho papão que serve para pessoas que não foram educadas como deve de ser poderem ter um bode expiatório para justificar a sua própria incompetência/irresponsabilidade/infantilidade/imaturidade/falta de respeito. Algo que depois é papado pelos parvinhos todos na Internet que apesar de terem toda a informação descoberta pelo ser humano a dois cliques preferem achar que uma opinião anedótica de um gajo no Twitter é representativo do universo.
O meu problema neste momento é especialmente com o racismo, não estou a dizer que não existe quem o disser é obviamente estúpido. Sempre houve, ainda existe e continuará a existir. Agora a prevalência é que é diferente. Se me disserem que Portugal é mais racista que a China ou grande parte dos países em África ou Rússia ou Japão vou vos dar um estalo.
(Os exemplos seguintes são dos Estados Unidos) Não interessa que a maior causa de violência a negros sejam outros negros, não interessa que a maior causa de morte de negros sejam outros negros, não interessa que os brancos sejam os mais mortos pela polícia, não interessa que em países em que ter arma (us, México e Guatemala) é um direito constitucional hajam mais mortos pela polícia, não interessa que isto seja um problema maioritariamente americano. Não interessa que quando os navegadores chegaram a África para trocar bens foram lhes dados escravos em troca. Não interessa que países como Israel, Arábia Saudita, Rússia, China não recebam refugiados. "O homem branco é racista"
Mas isto não é exclusivo do racismo, sexismo também é outro bom exemplo. Não interessa que no ocidente as mulheres (tendo em conta todas as variáveis especialmente mesma educação, experiência, propensão a risco, e horas de trabalho) recebem ligeiramente mais que o homem, como saem do emprego para formar famílias (daí o wage gap), também não interessa que em Portugal as mulheres fiquem com a custódia dos filhos 95% das vezes ou que iniciem ≈80% dos divórcios, ou que a violência doméstica tenha taxas semelhantes entre homens e mulheres. "O homem é machista"
Mas se vens com justificações ou ousas sequer em rejeitar tais ideais progressistas és "-ista" Obviamente
Estou a dizer que estes problemas não existem ou não possam existir!? NÃO FODASSE ÓBVIO QUE NÃO. Estou a dizer que não são prevalentes? Estou. Dizer que é um bicho papão que está tão entranhado na "cultura branca" é pedir um convite a fazer como alguns dos escravos libertados nos EUA fizeram quando voltaram para África que acabaram por ser mais discriminados do que eram lá apesar de serem da mesma cor.
A Europa é o sítio menos racista no mundo se acham que é racista e sexista ponham-se no caralho experimentem o Sudão do Sul ou o Irão estão os dois bons nesta altura do ano. Eu obviamente pela minha narrativa e maneira de tratar pessoas segundo as suas acções sou racista e de certeza que não vou mudar. Se és um humano de merda és um humano de merda dá me igual que sejas "preto, monhé, kike, chinoca, cigano, paneleiro, gaja ou travesti" estou me a cagar. Assim que fazes algo que não é socialmente aceitável e até que tentes emendar ou mudar és inferior a mim e à média nacional, ponto.
Isto leva me a falar sobre a importância de uma sociedade homogénea, vocês não têm a noção de como ter uma sociedade assim é importante. A religião até à pouco tempo era quem mantia essa uniformidade em Portugal. O momento que se começa a apontar diferenças é o momento que as sociedades se dividem. Não é por nada que assim que Espanha permite cada região falar a sua própria língua que começam os movimentos separatistas. Não é por nada que o divide et impera é a estratégia militar mais bem sucedida de todos os tempos e uma que a Rússia usa desde a guerra fria(1983) e que tem usado (tanto como a China) para criar divisões nos Estados Unidos e vindo a verter para cá pelas redes sociais.
Eu acho e entendo que quando há problemas se devem falar neles contudo sou contra alimentar narrativas que se dizem prevalentes mas quando vamos a ver acontecem pontualmente. Tal como "os videojogos fazem as crianças matar pessoas" vamos ver os números... Correlação 0. Correlação com acesso a armas fraco. Correlação com passarem na televisão é grande.
Isto de alimentar narrativas de victimização e narrativas de extrema esquerda vai dar merda mais tarde ou mais cedo. Já estamos a ver partidos de direita e extrema direita a aparecer por todo o lado. O pnr a ganhar mais força e o Chega a ter o maior crescimento que algum partido alguma vez teve na história de Portugal. Continuem a dizer que são vítimas de ismos e a dizer que os outros são nazis continuem. Continuem a achar que a comunidade cigana não cria problemas e Leirosa há de se tornar num Panamá do Sul.
Sempre vi a cor de pele do outro como alguém vê a cor do cabelo ou cor dos olhos nunca registei sequer até ser chamado à atenção, hoje é a primeira coisa que noto continuo com a minha moral de tratar com respeito quem assim o merece mas irrita-me solenemente já não conseguir ver a cor de pele como a cor dos olhos.
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2020.06.29 17:46 AntonioMachado [2011] Domenico Losurdo - Uma análise crítica da relação entre liberalismo e democracia

Entrevista: https://www.ifch.unicamp.bcriticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista2015_11_09_16_38_4563.pdf
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2020.06.22 14:46 madmike-c QUANDO A DIREITA PERDEU A SUA HUMANIDADE

Autor do texto : Eric Balbinus de Abreu
Agatha Vitória Sales Félix foi assassinada no Morro do Alemão. Perdeu a vida após uma operação policial. Como é de praxe a corporação disse que “não há indícios” da participação de policiais na morte da garota. Seja como for a resposta foi dada antes que qualquer exame de balística atestasse uma coisa e outra. Mesmo sem uma certeza o homicídio já provocou polêmica suficiente para que a morte deixasse de ser um crime e provavelmente uma violação de direitos por parte do próprio Estado para se tornar uma medíocre questão política. E sim, sobretudo por parte da Direita. É verdade que setores da esquerda instrumentalizam estes eventos, que muitos agentes deste espectro se preocupam mais com suas agendas políticas do que com as pautas que manietam em favor de sua ampla causa. Não obstante são eles que majoritariamente atuam nas pautas sociais e de direitos civis, logo não é totalmente ilegítimo que os tantos coletivos, associações, sindicatos e movimentos de esquerda dediquem energia e mobilização política em torno da pauta. O cidadão de Direita é quem carece de moral para questionar este ativismo, uma vez que os do seu espectro preferem ignorar estes contextos sempre que a realidade permite. Não levem para o pessoal, quem escreve estas linhas é um conservador. O cidadão de Direita, diga-se de passagem, não consegue ao menos reagir com firmeza nestes episódios. Há entre nós reações distintas que denunciam o desequilíbrio. Alguns são guiados pelos sentimentos mais mesquinhos a ponto de pensarem que isso não tem importância, que era só mais um Silva. Há outros que pensam que quem mora em favelas, que os que são pretos ou pobres são necessariamente criminosos em potencial. A idade e gênero de Agatha não importam, ela tem quase a mesma cor de Dyogo Gosta Xavier de Brito, o jogador da base do Flamengo que foi morto dias atrás em circunstâncias semelhantes, por acaso a mesma da família que teve o carro alvejado por um pelotão do Exército. Foram oitenta tiros contra um veículo pilotado por um pai de família. Mesmo morto ainda foi responsabilizado pela própria desgraça. “Ele não parou no bloqueio”, dizem alguns conservadores supostamente preocupados. O mesmo não vale para a chefe de gabinete do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro. Márcia Beatriz Lins Izidro bateu em um veículo, desrespeitou uma ordem de parada emitida por uma viatura da PM e fugiu. No caminho bateu em mais dois carros até ser detida. O caso se deu em Botafogo. Loira, ela não mereceu tomar oitenta tiros. Isso nos leva a outra reação comum na direita quando se trata de casos como o de Agatha: humanos são apenas os que se parecem conosco. Quando dizem defender a família, trata-se da família de classe média — normalmente branca e escolarizada. O pai de família que mora no morro pode ser morto apenas por ser preto e pobre, seus filhos podem ficar desamparados, sua mulher despedaçada… Mas nem por um segundo ouse defender a punição para os agentes do Estado envolvidos, isso é dar força a narrativa das esquerdas. Aliás, as esquerdas… Nada funciona melhor para justificar a indigência moral do que os bichos papão progressistas. Até o presidente e seus filhos encrencados com corrupção e milícia aprenderam que o Emmanuel Goldstein que mantém a direita brasileira no curral é a esquerda. Andam até ameaçando que “quanto mais forem criticados por seus eleitores mais rápido o Jair cai, mais rápido o PT volta”. Esta obscenidade só existe porque nossa Direita se estruturou mentalmente desta forma. A falta de democracia durante boa parte do período republicano deu aos incautos o entendimento de que o adversário político não deve ser combatido de acordo com as regras do jogo democrático, mas sim de que deve necessariamente ser eliminado — que a própria existência do contraditório é um horror por si. A vexaminosa atuação das instituições no período pós-democratização, o aumento da violência, da corrupção, distorções econômicas, direitos para quem sequer era representado, tudo isso fermentou um caldo de reacionarismo sem precedentes. Aqui começa nossa ruína. Há sim quem mascare no pensamento da Direita o preconceito e ódio aos que “não deveriam ser tão cidadãos assim”. Os virulentos comentários nas redes sociais não deixam dúvidas, o entendimento de parcela considerável da sociedade é que o problema da criminalidade é a pobreza — logo basta chegar no morro atirando de forma aleatória que o combate ao crime estará andando em passos largos. Por não ser tão erudita e algo primitiva, nossa direita também instituiu um elaborado panteão de divindades que incluí as Forças Armadas, policiais militares, a cristandade… Que morram tantas Agathas, o que não pode acontecer é de um policial ser responsabilizado. Alguns até argumentam que “quando o traficante mata alguém no morro ninguém fala nada”. O clamor de botequim é típico dos que não pensam, dos que abdicaram dos cérebros em troca do cabresto ideológico. Os gênios da raça já não conseguem nem distinguir as diferenças entre o agente do Estado (que jura uma Constituição, que passa por treinamentos e deve se guiar por protocolos) com um cidadão qualquer que resolve se insurgir contra normas do Estado. Veja, este um não tem obrigação alguma com a lei. Quem tem é o fardado. Não deveria ser tão difícil distinguir uma coisa e outra. Ah, não podemos esquecer: as malditas preocupações com a narrativa e com a guerra política são colocadas acima das próprias pessoas. Não importa se a garota foi morta, o que importa é fazer frente a esquerda! Eles não podem vencer a narrativa mesmo que seja dizer que 2+2 é 4. É um precedente asqueroso pois a política passa a ter seu fim em si mesma. Ao invés de discutirmos para saber quais soluções serão implementadas no Estado, lutamos para saber quem irá se manter no poder, qual das narrativas prevalece, quantos likes serão recebidos por cada um dos agentes… Perguntar não ofende: de que serve este novo país de Justiça, Moral e Bons Costumes se ele não presta nem ao menos para demonstrar solidariedade com uma família que teve a filha de oito anos baleada? Qual o propósito de denunciarmos as arbitrariedades de Nicolas Maduro se nosso ideário passa ao largo de problemas reais, se nossa reação será sempre a impiedade? Não custa lembrar que setores importantes da Direita brasileira falam em “restaurar os valores do Ocidente cristão”. Estes valores incluem a caridade, o amor ao próximo, o senso de justiça? A pergunta é válida pois a igreja evangélica brasileira foi quase que completamente sequestrada por forças políticas que atuam em nome dos interesses evangélicos, mas pouco se fala na humanização do outro. Enquanto muitos “conservadores cristãos” operam malabarismos retóricos vergonhosos para resinificar o óbvio, as escrituras são claras sobre estes fariseus: “Engordam-se, estão nédios, e ultrapassam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do órfão; todavia prosperam; nem julgam o direito dos necessitados. Porventura não castigaria eu por causa destas coisas?” (Jeremias 5:28,29) O caso é que a Direita brasileira majoritariamente é incapaz de lidar com estas questões sem demonstrar o quanto já perdeu de sua humanidade. Episódios de racismo, violência policial e tantas outras distorções são simplesmente ignorados para “não jogar água no moinho das esquerdas”. O que os valentes ignoram é que o princípio é exatamente o contrário. A imagem de humanista das esquerdas seria bem menos consolidada se os da direita demonstrassem o mínimo de compaixão e senso de proporções. Nossas direitas se embeberam tanto do ópio da ideologia que não são capazes de lidar com o mundo real. Pior: acabaram numa espécie de Dorian Gray as avessas, aprisionando suas almas na caricatura que as esquerdas sempre fizeram a nosso respeito. A direita brasileira (sobretudo a conservadora) não disfarça a pretensão de restaurar a glória de um passado idílico. Corrigir uma Nação inteira baseado na moral, nos bons costumes e nos valores cristãos é mesmo uma tarefa hercúlea — sobretudo quando se é incapaz até de amar o próximo.
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2020.06.06 07:18 ThorDansLaCroix O que é Fascismo (2da Edição: 2020)

Editado 1 As referencias nos textos e comentarios sao citadas para serem conferidas. Se suspeitarem de algo no texto confira as referencias. Uma pessoa quer refurtar o texto nos comentarios e indicou um livro que nunca leu. Aqui uma pagina desse livro que nao refurta mas eh uma das referencias do texto: https://pasteboard.co/Jc23Z4E.jpg
Editado 2 salientando aqui, que em geral historiadores quando falam de fascismo tocam no aspecto mitologico idealista da nacao original ideal. Mas raros sao os que investigam e falam de onde vem tal mitologia e anceios. Ao qual eu uso a historiografia politica de Hannah Arendt, antropologia psicologica de Otto Rank e psicanalise de Donald Winnicott para explicar, e que em resumo se baseia em uma inseguranca social (e existencial mas esse aspecto existencial eu nao vou tocar).
Antes o papo era que Nazismo é de esquerda e agora o papo é que antifascistas são fascistas pq fazem protestos violentos. Ou socialismo em geral é fascista. E nunca vejo ninguem dizendo de forma clara o que é fascismo, mesmo os que se dizem anti-fascistas.
E eu vejo que as campanhas populistas nunca falam do socialismo clássico fazendo correlações falsas com as ideologias de esquerda de hoje. E o desconhecimento desse socialismo classico, que eh uma raiz historica do fascismo, faz com que as pessoas nao entendem de forma clara o que eh fascismo.
Para começar eu vou falar de Socialismo. Mas nao do socialismo Marxista. Tenha em mente que Socialismo é uma palavra que descreve duas coisas distintas, igual a palavra Manga que descreve uma fruta e uma parte de uma roupa. E vc vai entender isso agora.
Vamos falar desse socialismo para buscar entender de onde vem e o que é fascismo.
O termo "socialismo" existe desde a Grécia antiga. É citado tanto por Platão em seu livro "A República" como também por Cícero na Roma Antiga. Oswald Spengler em seu livro "Prussianismo e Socialismo" publicado na década de '20, fala do Socialismo Prussiano (ou socialismo Teutonico/Germanico que data desde a epoca da queda do Imperio Romano). Esse socialismo que eles citam é o socialismo conservador.
As características do socialismo conservador (socialismo de direita) varia depende da época e povo, mas em geral se caracteriza por um estado paternalista, privilégio hierárquico social, preservação das instituições como religião e estatais (que ditam a vida das pessoas), o governo em controle da economia, preservação do capitalismo corporativista, nacionalismo, entre outras coisas. Algumas vertentes do socialismo conservador vão preferir a ditadura presidencial ou monarquia, enquanto outras vertentes vão preferir a democracia parlamentar ou presidencialismo.
Algumas vertentes, como o socialismo Prussiano/Germânico/Teutônico, tendem a hegemonia etinica e cultural. Tem vertentes que abolem a propriedade privada. Mas nenhuma das vertentes é contra o capitalismo, mas o contrário, são defensores do capitalismo corporativista pq acreditam que a prosperidade da elite reflete na prosperidade em sociedade.
Eu sei que muitos defensores do capitalismo dizem que capitalismo é somente quando ha estado minimo e nao intervenção na economia. Mas na verdade, tal descrição é do liberalismo e não do capitalismo (nem todo capitalismo é liberal). Mas eu explico isso melhor mais a frente.
Continuando... O termo socialismo vem da ideia do que o cidadão toma conta um do outro (hierarquia social), se foca em suas aptidões e trabalho visando a grandeza da nação (nacionalismo), abre mão da competição individualista liberal de enriquecimento e ascensão/prestígio pessoal (considerado liberalismo) e aceita sua posição social, não havendo assim conflito entre classes e todos focados no trabalho e grandeza da nação.
Independente da vertente, o princípio é que a nação deva ser regida como uma orquestra, ou como uma sociedade de formigas e abelhas. Ou como no caso da Prússia, como uma hierarquia militar. Não tentar ser o que vc nao eh. Como em uma orquestra o objetivo é ter a sociedade funcionando em harmonia. O solista não compete com o regente para ser regente, os demais da banda não competem com o solista. E assim buscam ter a estabilidade social como havia na idade média e demais épocas passadas.
O primeiro grande conflito contra o Socialismo Conservador (A princípio monárquico absolutista e feudal) eh o Liberalismo, que surge no meados de 1600' com o Inglês John Locke, conhecido como o pai do liberalismo. Surgiu como briga pela liberdade individual. Tal liberdade individual significa participação no poder (democracia), liberdade de expressão (poder questionar a sociedade e poder vigente), liberdade religiosa em que você pode escolher sua religião e não ser obrigado a seguir uma religião imposta pelo estado ou sociedade, livre comércio que é a liberdade individual em comercializar sem as oligarquias das guildas feudais (e depois estado) limitando a competição, igualdade de gênero que se opõem a hierarquia e determinismo social, e propriedade privada (o que para o liberalismo clássico significa o fim do domínio oligárquico dos grandes proprietários de terras, os senhores feudais).
Em resumo, o liberalismo significa a emancipação do camponês, podendo assim ser proprietário de terra e consequentemente competir individualmente para a prosperidade individual. Ou seja, o fim dos privilégios socioeconômicos de uma elite oligárquica. Thomas Paine, um dos fundadores dos EUA e filósofo, defendia a renda básica em 1797, em um panfleto que ele escreveu chamado Justica Agraria: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Agrarian_Justice
O conflito entre Socialistas Conservadores, que buscavam a volta dos princípios do feudalismo na época, e Iluministas liberais (Republicanos liberais) culminou na grande primeira revolução política, a Revolução Francesa em 1789-1799.
Uma curiosidade: O primeiro movimento feminista começou junto com o movimento de independência dos EUA em 1776. A própria declaração de independência dos EUA cita que todos os cidadãos, homens e mulheres, são criados iguais e livre. Uma das primeira obras do movimento feminista foi escrito por Mary Wollstonecraft, chamado "Vindication of the Rights of Women" publicado em 1796. As feministas esquerdistas vão surgir bem depois (após o surgimento do movimento operário de esquerda, Marxismo, na segunda metade de 1800).
Historicamente a direita é o que busca preservar ou conservar os princípios e tradições políticas, econômicas e sociais passadas (conservadorismo) enquanto a esquerda eh o que busca mudar os princípios tradicionais com novos princípios e ideias. Sendo assim, historicamente o Socialismo original (Conservador) defendia a monarquia, engessamento social e feudalismo, e sentavam à direita do rei (por isso chamados de direita). Os liberais (o que inclui os jacobinos citado por Max Weber em "A ética protestante e o espírito do capitalismo") sentavam à esquerda do rei (assim chamados de esquerdistas). Logo, os principios iluministas liberais tepublicano capitalista eh originalmente um movimento de esquerda.
O termo socialismo em si começou a ficar mais em voga a partir do monarca austríaco Klemens von Metternich em 1847, que junto com demais monarquistas, começaram suas campanhas contra o liberalismo.
O socialismo marxista (socialismo de esquerda) surge apenas a partir da segunda metade de 1800', quando Karl Marx, que inicialmente era liberal capitalista, chegou a conclusão que o problema das sociedades se resumem em conflitos de classes e que por isso, o ideal seria haver uma sociedade sem classes sociais, e consequentemente sem capitalismo.
Veja que tanto o socialismo/comunismo (socialismo limeral) quanto o socialismo classico buscam a estabilidade social. A diferenca eh que o primeiro busca pelo fim das classes sociais/capitalistas e o segundo pelo engessamento das classes sociais.
O socialismo liberal (Socialismo Marxista) eh irmao do Liberalismo capitalista. Ambos são frutos do Iluminismo Britânico e seu princípio no "contrato social" que surgiu com Thomas Hobbes (1651) e em seguida deu fruto ao Liberalismo com John Locke (1689). Ambos sao contra o socialismo conservador, que se opoem a liberdade individual e social tanto do republicano capitalista quanto do anti-estado comunista, socialista e anarquista,
O socialismo, comunismo e anarquismo surge como um novo movimento dentro do liberalismo iluminista, pq foi observado que após a implantação do estado republicano, políticos, classe econômica e capitalistas industriais usavam a máquina pública visando interesses próprios. O exemplo mais claro disso foi com a primeira república instaurada pela Revolução Francesa. O classe capitalista que servia a corte com seus produtos, e que por isso estavam mais próximo dos nobres, foram os que obtiveram o poder e influência no estado após a revolução. O resto da população continuava na miséria sem emancipação econômica e conflitos armados mataram muita gente nessa briga pelo poder. Já países onde houve mais emancipação dos camponeses que viraram proprietários de terras, os movimentos anticapitalista e anti-estado não foram tão fortes e o capitalismo foi melhor aceito pela população em geral (Inglaterra e EUA).
Em resumo, o socialismo original que existe desde os principios da obra "A Republica" de Platao, eh um socialismo conservador e que por isso de direita. Contra tal conservadorismo que na época era Monárquico absolutista e feudal, surgiu o Liberalismo Republicano (esquerda). Mas o primeiro passou a ser a terceira via quando os liberais republicanos se tornaram os conservadores, e então direita, e os opositores esquerda.
Os monarcas e antigos senhores feudais faziam campanhas políticas para conseguir suas terras e poder económico de volta. E em geral eles tiveram muito apoio da classe média (que eram os artesãos na idade média). Era um movimento que buscava voltar ao feudalismo ou da monarquia absolutista (ou ambos) para obter o socialismo conservador de volta (classe social engessada). Pq o iluminismo que culminou no liberalismo, fez com que os donos de terras e artesãos (que se tornaram classe média no capitalismo) perdessem seus privilégios e estabilidade social. Principalmente os artesãos que no feudalismo tinham o mercado protegido pelas guildas mas no capitalismo passaram a ter que competir para não virar classe trabalhadora (pobre). Além de se verem obrigados a fazer dívidas com bancos para conseguir competir, etc… e nessas campanhas surgem movimentos como o pan-europeu, defendendo privilégios sobre terras, poder, mercado e posição social como sendo um direito natural étnico, nacionalista, sanguíneo, etc. E eh dia que comeca a formar o fascismo.
Os estadistas e capitalistas que estão no topo da cadeia social, no capitalismo republicano, começam a fazer campanhas e políticas contra o socialismo clássico que visa o fim da competição individual social liberal.
E para obter o apoio da classe média, começam a oferecer alternativas de estabilidade social como o estado assistencialista ou segregação social (quando não ambos). Essa segregação social é uma forma de garantir a estabilidade social reduzindo a competição social, dando privilégios a certos grupos e segregando outros ao acesso de emergir a tais classes privilegiadas.
O Imperador Prussiano Bismarck que tentou modernizar a Alemanha acabando com o poder dos antigos senhores de terras e as tendência de preferência pelo socialismo clássico da população em geral, implementou o estado de bem estar social em 1883, para obter o apoio da população pelo estado liberal.
A classe média também fazia campanhas para obter apoio da classe operária contra os capitalistas (donos de fábricas) classe econômica (donos de bancos e demais instituições financeiras), pq a classe média (artesãos ou pequenos empresários) não conseguem competir com grandes empresários capitalistas, e viam os bancos (em que os judeus tinham a fama de serem os donos) como parasitas que vivem dos juros das dívidas da classe média.
Essa união entre classe média e operários tende tanto para o estado de bem estar social (democracia social) quanto para o lado que ainda busca a estabilidade social através da segregação social (limitando minorias na competição social). Esse segundo eh de onde vem o fascismo. A carteira de trabalho implementada pelo Mussolini foi a forma de dar maior garantia de estabilidade social aos trabalhadores nacionais e assim aceitarem suas funções/posições operárias.
Em resumo, o fascismo busca a estabilidade social, através da segregação social limitando a competição social (engessando as classes sociais em dificultando minorias em emergir socialmente, gerando então menos competitividade e estabilidade social para as classes privilegiadas). Essas minorias podem ser desempregados, estrangeiros, negros, judeus, etc.
A questão do estado é uma forma de garantir tal estabilidade social através do nacionalismo (limitando direitos e acesso a estrangeiros ao mercado de trabalho) por exemplo. Como também usando a máquina burocrática para beneficiar alguns (militares, políticos, latifundiários, algumas classes de empresários) e limitar outros grupos a competição social com os privilegiados.
Logo, estado inchado e burocratico por si so nao eh fascismo. Isso seria uma falsa correlacao. O estado é só uma ferramenta. O fascismo é a segregação socioeconômica em busca de estabilidad social.
Todo discurso sobre supremacia étnica, nacional, racial, etc, são discursos populistas para ganhar a massa com simplismo, medo, pseudo ciência e mitologias. Por trás de tudo isso está o controle da massa pelo medo da falta de estabilidade social, então transformada em medo social (ao estrangeiro, pobre, negro, judeu, mulheres, movimentos como o feminismo, etc).
O Nazismo em si eh o socialismo prussiano (conservador) em sua forma altamente populista (tentar ganhar apoio popular culpando Judeus e demais estrangeiros pelo desastre econômico pós primeira guerra).
Eu entendo que muita gente associa o comunismo com ditaduras e falta de liberdade, e consequentemente com Nazismo. Como tambem associam capitalismo sendo sinonimo de liberalismo. Mas como a maioria do conhecimento popular, isso eh apenas um emaranhado de correlações falsas populistas.
O liberalismo clássico em si eh contra o "pro business". Adam Smith já dizia que grandes empresários eram uma ameaça ao Liberalismo e democracia, já que quando empresas obtêm grande poder elas passam a ser como um estado ou a manipular o estado. Eh ai que o liberalismo clássico se difere do Neo-Liberalismo ao qual eh "pro-business" com a filosofia de que quanto mais grandes empresários ganham dinheiro mais dinheiro é escoado na sociedade, levando prosperidade econômica a todos..
Por mais que muitos hoje dizem que o capitalismo só funciona quando não tem intervenção governamental, os liberais clássicos viam que governo é importante para que haja capitalismo (diferente dos anarquistas capitalistas). Max Weber mesmo escreveu sobre a teoria do Iron Cage que diz que o crescimento do estado é uma demanda do próprio capitalismo para que o capitalismo possa crescer.
Entao vou repetir a conclusao para ficar claro. Fascismo é: A busca da estabilidade social com a da reducao de competicao social, attavez da segregacao social (engessamento das classes sociais).
Essa estabilide eh principalmente para a elite. Mas a classe trabalhadora pode tambem acreditar que sera privilegiado excluindo/segregando imigrantes e demais minorias. E assim a classe media e trabalhadora podem acabar dando suporte ao fascismo.
Para aqueles que leram até aqui eu agradeco pela atencao e tolerância em buscar conhecer ou entender uma outra perspectiva (Entender um ponto de vista nao eh sinonimo de concordar, e por isso eu não estou esperando que haja concordância).
Eu por exemplo nao gosto e nao concordo com o socialismo conservador, mas eu busquei as obras de Spengler quanto a de Platão para entender melhor o que de fato eh o conservadorismo, socialismo e nazismo. Da mesma forma que eu não concordo com o comunismo, mas eu busquei entender o que é comunismo lendo Marx entre outros (ao qual também existem inúmeras vertentes em que discordam uns dos outros).
Para finalizar com uma última curiosidade. Algo que todos esses sistemas têm em comum, independente de eh contra ou afavor de estado, contra ou a favor da liberdade individual, contra ou a favor do capitalismo, é que todos eles tem como engrenagem a questão do trabalho. Max Weber explica a implicância da "doutrina do trabalho" que vem da ética religiosa que passa a fazer parte do espírito do capitalismo (e seu princípio meritocrático). O socialismo conservador, principalmente em fascismo (e nazismo) tem como princípios o trabalho como forma de liberdade do interesse individual (considerado corrupção social) visando o grandeur da nação. O Comunismo tem como princípio o poder da mão de obra dos trabalhadores como a geração de riquezas ao qual o capitalista extrai riqueza e desejam que os trabalhadores fiquem com tal riqueza.
Mas tem uma vertente comunista chamada comunista autônomo que surgiu na itália, que é contra tal "doutrina do trabalho". Segundo eles, a engrenagem do capitalismo é a doutrina do trabalho e que por isso, o comunismo está fadado a falhar e retornar ao capitalismo pq eles mantêm tal engrenagem.
Diante disso surge o movimento anti-trabalho (ou anti-trabalhista), ao qual eu não conheço muito mas estou em busca em aprender (e compreender mesmo que se não concordar).
Eu não sou historiador, acadêmico, youtuber e nem intelectual. Por isso, eu espero que esse thread desperte a curiosidade para que vcs continuem interessado e pesquisando para buscar mais compreensão e correção do que eu possa ter mal interpretado ou compreendido (mesmo não concordando).
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2020.06.03 13:19 ThorDansLaCroix O que é Fascismo (2da Edicao 2020)

Edit: tem um user nos comentarios falando que eh tudo inventado. Eu apresento as obras e autores para vcs confimarem por si mesmos. Confirmem nas obras e nao caiam no mal caratismo das pessoas.
Antes o papo era que Nazismo eh de esquerda e agora o papo eh que antifascistas sao fascistas. Ou socialismo em geral é fascista. E eu vejo que as campanhas populistas nunca falam do socialismo clássico fazendo correlações falsas com as ideologias de esquerda de hoje.
Vamos falar desse socialismo para buscar entender de onde vem e o que é fascismo.
O termo "socialismo" existe desde a Grécia antiga. É citado tanto por Platão em seu livro "A República" como também por Cícero na Roma Antiga. Oswald Spengler em seu livro "Prussianismo e Socialismo" publicado na década de '20, fala do Socialismo Prussiano (ou socialismo Teutonico/Germanico que data desde a epoca da queda do Imperio Romano). Esse socialismo que eles citam é o socialismo conservador.
As características do socialismo conservador (socialismo de direita) varia depende da época e povo, mas em geral se caracteriza por um estado paternalista, privilégio hierárquico social, preservação das instituições como religião e estatais (que ditam a vida das pessoas), o governo em controle da economia, preservação do capitalismo corporativista, nacionalismo, entre outras coisas. Algumas vertentes do socialismo conservador vão preferir a ditadura presidencial ou monarquia, enquanto outras vertentes vão preferir a democracia parlamentar ou presidencialismo.
Algumas vertentes, como o socialismo Prussiano/Germânico/Teutônico, tendem a hegemonia nacionalista. Tem vertentes que abolem a propriedade privada. Mas nenhuma das vertentes é contra o capitalismo, mas o contrário, são defensores do capitalismo corporativista pq acreditam que a prosperidade da elite reflete na prosperidade em sociedade.
Eu sei que muitos defensores do capitalismo dizem que capitalismo é somente quando ha estado minimo e nao intervenção na economia. Mas na verdade, tal descrição é do liberalismo e não do capitalismo (nem todo capitalismo é liberal). Mas eu explico isso melhor mais a frente.
Continuando... O termo socialismo vem da ideia do que o cidadão toma conta um do outro (hierarquia social), se foca em suas aptidões e trabalho visando a grandeza da nação (nacionalismo), abre mão da competição individualista liberal de enriquecimento e ascensão/prestígio pessoal (considerado liberalismo) e aceita sua posição social, não havendo assim conflito entre classes e todos focados no trabalho e grandeza da nação.
Independente da vertente, o princípio é que a nação deva ser regida como uma orquestra, ou como uma sociedade de formigas e abelhas. Ou como no caso da Prússia, como uma hierarquia militar. Não tentar ser o que vc nao eh. Como em uma orquestra o objetivo é ter a sociedade funcionando em harmonia. O solista não compete com o regente para ser regente, os demais da banda não competem com o solista. E assim buscam ter a estabilidade social como havia na idade média e demais épocas passadas.
O primeiro grande conflito contra o Socialismo Conservador (A princípio monárquico absolutista e feudal) eh o Liberalismo, que surge no meados de 1600' com o Inglês John Locke, conhecido como o pai do liberalismo. Surgiu como briga pela liberdade individual. Tal liberdade individual significa participação no poder (democracia), liberdade de expressão (poder questionar a sociedade e poder vigente), liberdade religiosa em que você pode escolher sua religião e não ser obrigado a seguir uma religião imposta pelo estado ou sociedade, livre comércio que é a liberdade individual em comercializar sem as oligarquias das guildas feudais (e depois estado) limitando a competição, igualdade de gênero que se opõem a hierarquia e determinismo social, e propriedade privada (o que para o liberalismo clássico significa o fim do domínio oligárquico dos grandes proprietários de terras, os senhores feudais).
Em resumo, o liberalismo significa a emancipação do camponês, podendo assim ser proprietário de terra e consequentemente competir individualmente para a prosperidade individual. Ou seja, o fim dos privilégios socioeconômicos de uma elite oligárquica. Thomas Paine, um dos fundadores dos EUA e filósofo, defendia a renda básica em 1797, em um panfleto que ele escreveu chamado Justica Agraria: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Agrarian_Justice
O conflito entre Socialistas Conservadores, que buscavam a volta dos princípios do feudalismo na época, e Iluministas liberais (Republicanos liberais) culminou na grande primeira revolução política, a Revolução Francesa em 1789-1799.
Uma curiosidade: O primeiro movimento feminista começou junto com o movimento de independência dos EUA em 1776. A própria declaração de independência dos EUA cita que todos os cidadãos, homens e mulheres, são criados iguais e livre. Uma das primeira obras do movimento feminista foi escrito por Mary Wollstonecraft, chamado "Vindication of the Rights of Women" publicado em 1796. As feministas esquerdistas vão surgir bem depois (após o surgimento do movimento operário de esquerda, Marxismo, na segunda metade de 1800).
Historicamente a direita é o que busca preservar ou conservar os princípios e tradições políticas, econômicas e sociais passadas (conservadorismo) enquanto a esquerda eh o que busca mudar os princípios tradicionais com novos princípios e ideias. Sendo assim, historicamente o Socialismo original (Conservador) defendia a monarquia, engessamento social e feudalismo, e sentavam à direita do rei (por isso chamados de direita). Os liberais (o que inclui os jacobinos citado por Max Weber em "A ética protestante e o espírito do capitalismo") sentavam à esquerda do rei (assim chamados de esquerdistas). Logo, os principios iluministas liberais tepublicano capitalista eh originalmente um movimento de esquerda.
O termo socialismo em si começou a ficar mais em voga a partir do monarca austríaco Klemens von Metternich em 1847, que junto com demais monarquistas, começaram suas campanhas contra o liberalismo.
O socialismo marxista (socialismo de esquerda) surge apenas a partir da segunda metade de 1800', quando Karl Marx, que inicialmente era liberal capitalista, chegou a conclusão que o problema das sociedades se resumem em conflitos de classes e que por isso, o ideal seria haver uma sociedade sem classes sociais, e consequentemente sem capitalismo.
Veja que tanto o socialismo/comunismo (socialismo limeral) quanto o socialismo classico buscam a estabilidade social. A diferenca eh que o primeiro busca pelo fim das classes sociais/capitalistas e o segundo pelo engessamento das classes sociais.
O socialismo liberal (Socialismo Marxista) eh irmao do Liberalismo capitalista. Ambos são frutos do Iluminismo Britânico e seu princípio no "contrato social" que surgiu com Thomas Hobbes (1651) e em seguida deu fruto ao Liberalismo com John Locke (1689). Ambos sao contra o socialismo conservador, que se opoem a liberdade individual e social tanto do republicano capitalista quanto do anti-estado comunista, socialista e anarquista,
O socialismo, comunismo e anarquismo surge como um novo movimento dentro do liberalismo iluminista, pq foi observado que após a implantação do estado republicano, políticos, classe econômica e capitalistas industriais usavam a máquina pública visando interesses próprios. O exemplo mais claro disso foi com a primeira república instaurada pela Revolução Francesa. O classe capitalista que servia a corte com seus produtos, e que por isso estavam mais próximo dos nobres, foram os que obtiveram o poder e influência no estado após a revolução. O resto da população continuava na miséria sem emancipação econômica e conflitos armados mataram muita gente nessa briga pelo poder. Já países onde houve mais emancipação dos camponeses que viraram proprietários de terras, os movimentos anticapitalista e anti-estado não foram tão fortes e o capitalismo foi melhor aceito pela população em geral (Inglaterra e EUA).
Em resumo, o socialismo original que existe desde os principios da obra "A Republica" de Platao, eh um socialismo conservador e que por isso de direita. Contra tal conservadorismo que na época era Monárquico absolutista e feudal, surgiu o Liberalismo Republicano (esquerda). Mas o primeiro passou a ser a terceira via quando os liberais republicanos se tornaram os conservadores, e então direita, e os opositores esquerda.
Os monarcas e antigos senhores feudais faziam campanhas políticas para conseguir suas terras e poder económico de volta. E em geral eles tiveram muito apoio da classe média (que eram os artesãos na idade média). Era um movimento que buscava voltar ao feudalismo ou da monarquia absolutista (ou ambos) para obter o socialismo conservador de volta (classe social engessada). Pq o iluminismo que culminou no liberalismo, fez com que os donos de terras e artesãos (que se tornaram classe média no capitalismo) perdessem seus privilégios e estabilidade social. Principalmente os artesãos que no feudalismo tinham o mercado protegido pelas guildas mas no capitalismo passaram a ter que competir para não virar classe trabalhadora (pobre). Além de se verem obrigados a fazer dívidas com bancos para conseguir competir, etc… e nessas campanhas surgem movimentos como o pan-europeu, defendendo privilégios sobre terras, poder, mercado e posição social como sendo um direito natural étnico, nacionalista, sanguíneo, etc. E eh dia que comeca a formar o fascismo.
Os estadistas e capitalistas que estão no topo da cadeia social, no capitalismo republicano, começam a fazer campanhas e políticas contra o socialismo clássico que visa o fim da competição individual social liberal.
E para obter o apoio da classe média, começam a oferecer alternativas de estabilidade social como o estado assistencialista ou segregação social (quando não ambos). Essa segregação social é uma forma de garantir a estabilidade social reduzindo a competição social, dando privilégios a certos grupos e segregando outros ao acesso de emergir a tais classes privilegiadas.
O Imperador Prussiano Bismarck que tentou modernizar a Alemanha acabando com o poder dos antigos senhores de terras e as tendência de preferência pelo socialismo clássico da população em geral, implementou o estado de bem estar social em 1883, para obter o apoio da população pelo estado liberal.
A classe média também fazia campanhas para obter apoio da classe operária contra os capitalistas (donos de fábricas) classe econômica (donos de bancos e demais instituições financeiras), pq a classe média (artesãos ou pequenos empresários) não conseguem competir com grandes empresários capitalistas, e viam os bancos (em que os judeus tinham a fama de serem os donos) como parasitas que vivem dos juros das dívidas da classe média.
Essa união entre classe média e operários tende tanto para o estado de bem estar social (democracia social) quanto para o lado que ainda busca a estabilidade social através da segregação social (limitando minorias na competição social). Esse segundo eh de onde vem o fascismo. A carteira de trabalho implementada pelo Mussolini foi a forma de dar maior garantia de estabilidade social aos trabalhadores nacionais e assim aceitarem suas funções/posições operárias.
Em resumo, o fascismo busca a estabilidade social, através da segregação social limitando a competição social (engessando as classes sociais em dificultando minorias em emergir socialmente, gerando então menos competitividade e estabilidade social para as classes privilegiadas). Essas minorias podem ser desempregados, estrangeiros, negros, judeus, etc.
A questão do estado é uma forma de garantir tal estabilidade social através do nacionalismo (limitando direitos e acesso a estrangeiros ao mercado de trabalho) por exemplo. Como também usando a máquina burocrática para beneficiar alguns (militares, políticos, latifundiários, algumas classes de empresários) e limitar outros grupos a competição social com os privilegiados.
Logo, estado inchado e burocratico por si so nao eh fascismo. Isso seria uma falsa correlacao. O estado é só uma ferramenta. O fascismo é a segregação socioeconômica em busca de estabilidad social.
Todo discurso sobre supremacia étnica, nacional, racial, etc, são discursos populistas para ganhar a massa com simplismo, medo, pseudo ciência e mitologias. Por trás de tudo isso está o controle da massa pelo medo da falta de estabilidade social, então transformada em medo social (ao estrangeiro, pobre, negro, judeu, mulheres, movimentos como o feminismo, etc).
O Nazismo em si eh o socialismo prussiano (conservador) em sua forma altamente populista (tentar ganhar apoio popular culpando Judeus e demais estrangeiros pelo desastre econômico pós primeira guerra).
Eu entendo que muita gente associa o comunismo com ditaduras e falta de liberdade, e consequentemente com Nazismo. Como tambem associam capitalismo sendo sinonimo de liberalismo. Mas como a maioria do conhecimento popular, isso eh apenas um emaranhado de correlações falsas populistas.
O liberalismo clássico em si eh contra o "pro business". Adam Smith já dizia que grandes empresários eram uma ameaça ao Liberalismo e democracia, já que quando empresas obtêm grande poder elas passam a ser como um estado ou a manipular o estado. Eh ai que o liberalismo clássico se difere do Neo-Liberalismo ao qual eh "pro-business" com a filosofia de que quanto mais grandes empresários ganham dinheiro mais dinheiro é escoado na sociedade, levando prosperidade econômica a todos..
Por mais que muitos hoje dizem que o capitalismo só funciona quando não tem intervenção governamental, os liberais clássicos viam que governo é importante para que haja capitalismo (diferente dos anarquistas capitalistas). Max Weber mesmo escreveu sobre a teoria do Iron Cage que diz que o crescimento do estado é uma demanda do próprio capitalismo para que o capitalismo possa crescer (Neoliberalismo).
Para aqueles que leram até aqui eu agradeco pela atencao e tolerância em buscar conhecer ou entender uma outra perspectiva (Entender um ponto de vista nao eh sinonimo de concordar, e por isso eu não estou esperando que haja concordância).
Eu por exemplo nao gosto e nao concordo com o socialismo conservador, mas eu busquei as obras de Spengler quanto a de Platão para entender melhor o que de fato eh o conservadorismo, socialismo e nazismo. Da mesma forma que eu não concordo com o comunismo, mas eu busquei entender o que é comunismo lendo Marx entre outros (ao qual também existem inúmeras vertentes em que discordam uns dos outros).
Eu sei que muita gente se recusa a ler "O Capital" de Marx pq eh um livro comunista. Mas o livro quase não fala sobre comunismo ou socialismo liberal. O livro todo aborda e analisa o capitalismo, e ao contrário do que muita gente pensa, ele não fica o livro todo criticando o capitalismo. No livro ele muitas vezes fala até bem do capitalismo em certos pontos (mas a conclusão final dele eh que o sistema precisa ser substituído ou será substituído naturalmente), mas em geral ele apenas apresenta uma análise do sistema, motivo pelo qual eh ainda um livro lido e estudado nos cursos de economia (mesmo que ninguém concorde ou defenda Marxismo.
Para finalizar com uma última curiosidade. Algo que todos esses sistemas têm em comum, independente de eh contra ou afavor de estado, contra ou a favor da liberdade individual, contra ou a favor do capitalismo, é que todos eles tem como engrenagem a questão do trabalho. Max Weber explica a implicância da "doutrina do trabalho" que vem da ética religiosa que passa a fazer parte do espírito do capitalismo (e seu princípio meritocrático). O socialismo conservador, principalmente em fascismo (e nazismo) tem como princípios o trabalho como forma de liberdade do interesse individual (considerado corrupção social) visando o grandeur da nação. O Comunismo tem como princípio o poder da mão de obra dos trabalhadores como a geração de riquezas ao qual o capitalista extrai riqueza e desejam que os trabalhadores fiquem com tal riqueza.
Mas tem uma vertente comunista chamada comunista autônomo que surgiu na itália, que é contra tal "doutrina do trabalho". Segundo eles, a engrenagem do capitalismo é a doutrina do trabalho e que por isso, o comunismo está fadado a falhar e retornar ao capitalismo pq eles mantêm tal engrenagem.
Diante disso surge o movimento anti-trabalho (ou anti-trabalhista), ao qual eu não conheço muito mas estou em busca em aprender (e compreender mesmo que se não concordar).
Eu não sou historiador, acadêmico, youtuber e nem intelectual. Por isso, eu espero que esse thread desperte a curiosidade para que vcs continuem interessado e pesquisando para buscar mais compreensão e correção do que eu possa ter mal interpretado ou compreendido (mesmo não concordando).
Para pessoas sem caráter que sempre fala da liberdade de expressão e acusa protestos de minorias e esquerdas de fascismo por serem violentos, mas sempre terminam a conversa demonstrando suas frustrações e intolerância com violência verbal e ataques pessoais, serão ignorados por mim.
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2020.05.23 04:30 matheusqueiroz63 Brasileiro merece a merda de país que tem

Um presidente defendendo com unhas e dentes a liberdade e liberdade de expressão, livre mercado, valores morais, família, direito de ter armas para se defender de bandidos e tiranos e com um forte sentimento patriótico, e nas palavras dele de que estava cagando para reeleição e que só queria ajudar o Brasil.
Um presidente indignado com prefeitos e governadores prendendo e algemando trabalhadores e mulheres na rua, enquanto a justiça soltava bandidos, e nas palavras dele : “imagina se fosse a filha de vocês estuprada pelos bandidos soltos”
Algumas conversas de Ministros com alto nível técnico, frases como “Não vamos nos iludir, a chave para o Brasil voltar a crescer é o investimento privado”
Mas claro, vamos ignorar tudo isso e focar nas horas que ele xingou alguém ou foi insensível.
Uma reunião privada que não se ouve por um segundo sobre como estava a popularidade deles ou preocupações em se manter no poder, totalmente focada na solução de problemas.
Brasileiro merece a merda mesmo, vão acabar trocando por sofisticados e cheirosos, que na reunião só se preocupariam com a própria imagem e como estavam sendo vistos pra mídia e movimentos sociais
E tem “conservador e direita” cara de pau ou mascarado, que quer pagar de superior e imparcial e que não vê como ele é o unico PR da história que realmente defendeu o ideal conservador e que provavelmente jamais verá novamente, o rolo compressor ativista do politicamente correto ta cada vez mais forte e esse povo “new left” só ajuda mais e mais.
E antes que uns se ofendam e falam de pano, questão nunca foi passar, mas nunca vi um alarmismo e um pré julgamento tão grande na vida, qualquer fala mesmo sendo de oposição se torna uma verdade absoluta e prova concreta de corrupção do governo.
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2020.05.05 04:14 CafeComPedro Gt do Guidão

Gt do Guidão
>Tudo começou quando finalmente consegui marcar um encontro com a deposito dos meus sonhos
>Caroline, uma loirinha linda, magra, mas com peitões, olhos azuis
>eu já tava no xaveco a muito tempo, e nunca tinha conseguido nada, depois de quatro meses de papo furado por MSN eis que ela aceita.
>pois bem, chegou o grande dia
>era uma sexta feria liguei pra ela pra perguntar aonde ela queria ir, pois não tínhamos combinado um lugar ainda
>ela disse que não tinha nada em mente e que na hora víamos isso
>ok desliguei e tracei um plano perfeito em minha mente
>a levaria para um barzinho super chique aqui da cidade pagaria tudo o que ela quisesse beber e depois iria embora por uma avenida cheia de motéis e parar na frente de um sem dizer nada
>com certeza daria certo
>comeria aquela lorinha de peitos grandes com toda a certeza
>meteria naquela bucetinha rosada sem parar e assim perderia minha virgindade
>depois começar a namorar e constituir família com a mulher dos meus sonho.
>tudo dando certo em minha vida amigos
>meu pai me emprestou o carro e ainda me deu 300 reais
> “O que, finalmente vai sair de casa em uma sexta a noite? E ainda com uma garota, toma aqui as chaves filhão e mais trezentão pra farra”
>feelsansiedade.jpg
>parecia que demorava 36 horas pra chegar as 22:00
>pra passar o tempo joguei uns games no PC
>assisti sessão da tarde
>comi umas bolachas recheadas e etc
>e claro, dei uma fapada como nunca antes tamanha a minha felicidade
>também porque não queria gozar com 14 segundos de transa
>logo como minha deusa
>antes de sair ainda li alguns contos de sacanagem pra pegar algumas dicas
>21:30
>banho tomado
>perfumado
>gel no cabelo
>vejo se minhas camisinhas que ganhei na escola ano passado estavam no meu bolso
>fui pra batalha
>meu pai estava radiante,
>abriu e fechou o portão de casa pra mim
>chego na casa dela
>toco o interfone
>ela diz que vai descer em alguns minutos
>nem acreditei quando ouvi isso vindo daquela boquinha doce que tanto imaginei colocar minha língua dentro
>ficp ali olhando pra casa dos meus futuros sogros
>ia vir muito ali ainda pensei comigo mesmo
>portão automático se abre e sai um corolla novo de dentro
>ele parou na do meu lado e uma loira estava dirigindo
>era a mãe de Caroline e era linda
>uma verdadeira milf potranca
>eu fico ali agradecendo a deus pelos bons genes que ele deu a minha futura esposa
>a milf olhou pra mim com um sorriso e disse: “Você deve ser o amigo da Carol né? Obrigado por fazer isso, ela e as amigas delas já estão descendo.”
>eu disse que não tinha problema nenhuma e que seria uma honra fazer isso para a filha dela
>ela sai dirigindo para a rua e o portão se fecha
>mas ela tinha dito ela e as amigas dela?
>fuckingmenage.url
>ouço a porta da casa se abrindo e dela sai Caroline
>com seus cabelos loiros esvoaçando
>um sorriso doce nos lábios
>vi aquela cena em câmera lenta anões
> nem acreditava que aquela deusa de seios fartos e barriguinha tanquinho estava vindo em minha direção
>e acreditei menos ainda quando ouvi mais vozes saindo pela porta e logo depois mais três garotas que nunca tinha visto na vida saindo também
>caroline chega e beija meu rosto e pergunta com a voz mai sensual do mundo
>“Demorei muito?” ,
>demorou nada
>ela vai entrando no carro
>as amigas entraram no banco de trás
>fico pensando em que porra esta acontecendo
>Caroline abre o vidro e me fala
> “vamos lindo, não quero me atrasar, hoje a pista vai ficar pequena.” , >filha da puta
>queria ir embora,mas aquela voz tem controle sobre mim
>entro no carro sem falar nada
>ligo e saio andando, sem saber direito qual era o meu destino
>feelswtfnemtemformatosaporra
>no carro com minha deusa caroline e mais tres vadias
>duas amigas gostosas
>e uma gordinha cheia de maquiagem que tomou banho de perfume de pobre e misturou com suor
>fui sacaneado pela minha deusa
>penso em parar o carro e mandar as 4 descerem,mas estou sozinho com quatro garotas dentro de um carro
>beta betoso
>nao da pra fazer nada,travo
>só consigo dirigir e seguir com as coordenadas que caroline diz
>só ouvia ela e seguia em frente ouvindo aquela voz maravilhosa e aqueles peitos gigantes balançando em cada lombada ou burado
>continuo dirigindo
>elas falam feito matracas
>ficam falando dos garotos e de quanto iam beber
>carolina manda eu virar a esqina que tem que fazer algo antes
>viro sem soltar um pio
>continuo seguindo caminho
>quando vi entrei num beco fudido
>nunca entrei naquele bairro antes
>ela manda eu encostar
>percebo que la na frente tem um grupo de meliantes olhando pro carro
>uma das vadias do banco de trás grita 'ei guidão,vem aqui
>negão de 2 metros de altura
>mistura de banha com músculos começou a andar em direção ao carro
>trava em tantas dobras que nem o batman invadiria o meu sistema
>ele chega perto do carro
>cumprimenta a amiga da caroline
>se conheciam
>feelsnaovoutercarroroubado.txt
>ela pergunta se ele tem daquela ai
>ele diz que tem que sempre tem e pergunta quanto vai querer
>a vadia diz o de sempre
>estavam negociando drogas do meu lado e trazendo pro carro do meu pai
>coração disparou
>finalizaram a negociação
>ligo o carro
>ja saindo Guidão grita pra eu parar
>paro o carro
>ele pergunta se estamos indo pra festa ale
>caroline disse que sim
>as biscates queriam ir numa rave
>começo a pensar em um monte de desculpas pra elas descerem
>Guidão pergunta se pode ir com a gente
>elas falam que sim sem nem perguntar pra mim
>só consigo tirar forçar pra falar que o carro ta lotado
>caroline agarra meu braço
>aqueles peitos gigantes roçando em mim
>ela fala que nao tem problema que ela e as amigas vao uma no colo da outra
>nao consigo responder nada só concordei com a cabeça
>guidao fala que nao da pra ir atras
>ele chega do meu lado e manda eu pular pro lado e caroline ir atras que ele vai guiando
>paro e penso que nao sabia onde estava e que se entrasse em rua errada ia ser metralhado por traficantes
>eu chego pro lado e ela vai pra tras
>ele começa a dirigir
>no carro do meu pai
>com quatro garotas
>um traficante
>indo pra uma rave
>e transportando drogas
>ele vira e pergunta se eu sei o por que do apelido dele ser guidão
>falo que não
>ele diz que o pau dele é preto e do tamanho de um guidão de bicicleta
>as vadias começam a cherar no carro ainda
>guidao vira e fala que ontem apareceu um negao morto sem os olhos e com um cabo de vassoura enfiado no cu
>ele vai pegar o celular pra mostrar a foto que tirou
>tijolo baiano atinge a porta do carro do meu lado
>arregalo os olhos e só consigo ver uma negona gorda com um molequinho no colo gritando 'GUIDÃO FILHO DA PUTA,VOLTA AQUI JA TA INDO ATRAS DE PIRANHA DENOVO'
>ela se prepara pra jogar outro
>ele consegue desviar graças as suas pericias de piloto de fuga
>ele acelera e saimos do bairro
>guidão e as vadias rindo feito hienas
>ele pula varios sinais vermelhos e fala "cara essa rave que vamos vai ser animal"
>ele pergunta qual das la de tras vou faturar
>travo e nao sei o que falar
>caroline fala ele vai ficar com fernando minha priminha,ela ta afim dele dese que entramos no carro
>penso,fernanda?
>porra era a gordinha
>minha deusa estava me empurrando a gordinha
>ela nao falava muito com as outras
>percebo que só chamaram ela pra eu ter o que fazer na rave e nao vir embora
>guidao fala que chegamos e pede vintão pro estacionamento
>ele estaciona o carro e do nada todo mundo evapora só sobrou eu no carro
>olho pra um lado e pro outro e vejo gente chapadona sem camisa,piriguetes,pessoal dançando de oculos que nem macaco
>me sinto no inferno
>tento sair de fininho e pegar o carro e fugir pro pc
>percebo que guidao pegou as chaves
>rage.jpg
>penso que nao pode piorar e vejo a gordinha me olhando
>fernanda ficou me encarando por uns minutos
>ela começa vir na minha direçao
>nao sou bonito,mas acho que da pra pegar algo melhor
>ela chega e fala oi
>eu digo oi
>ela fala doq a caroline disse no carro e diz que realmente gostou de mim
>ela queria ficar comigo,meu deus
>beta betoso,virgem,mas não era bv
>resolvo encarar pra nao passar tudo em branco
>vou pra um canto com ela e começamos a nos beijar loucamente
>ela era boa,beijava como se ofsse a ultima vez que beijaria alguem
>entro no clima,vou me empolgando
>ela tinha tetas gigantes
>começo a apertar aquelas tetas gigantes
>pego naquela bunda gigantesca
>começo a chupar os peitos dela
>ela começa a gemer cada vez mais alto
>pau ja tava pra fora
>gordinha fazendo uns movimentos retilinios uniformemente acelerados
>ela deu um grito de extase e gozou
>gozou tao loucamente que caiu no chao babando
>começou a ter espasmos musculares e começou a se mijar
>ela tava tendo uma convulsão
>fudeumateiavadia.pwp
>eu começo a gritar e algumas pessoas vem pra ajudar
>pessoas aleartórias começam a perguntar oq eu fiz pra ela
>me jogo no meio da multidão saio correndo
>me escondo no meio de duas barracas
>tomo um ar
>maos tremendo,mas pensando caralho sou foda fiz a gordinha ter uma gozada epiletica,sou foda
>estufo o peito
>cheio de coragem
>começo a procurar a caroline
>quero ficar com ela de qualquer jeito
>me pegam pelo colarinho e me jogam no chao
>sinto um cheiro de maconha
>sou rodiado por cinco japas vestidos como rapers
>um deles chega até mim com corrente de prata gigante
>ele fala que ficou sabendo que eu cheguei no mesmo carro que guidão
>eu nao respondi nada
>ele fala que mando guidao nao vender na area dele e diz que tenho 10 segundo pra falar onde ele esta ou vai me encher de porrada
>os japinhas rappers me levaram pra uma tenda no canto da rave
>me sinto na serie 24 horas
>fico uns minutos ali
>entra um japinha baixinho,de bandana e oculos escuros,sem camisa e cheio de corrente no pescoço perguntando sobre o guidao e mandando eu dar o bagulho que eu tava vendendo com o guidao
>começo a chorar falando que nao tinha nada,choro muito,que nao sabia de nada,só vim de carona com guidao que não traficava nem usava nada
>o japinha começa a rir de mim
>me pega pelo colarinho e me leva pra fora
>ele me deixa com um gordao e manda eu dar um role por ai pra achar o guidao
>penso em correr mas o gordao tava segurando meu colarinho forte demais
>vejo caroline sendo puxada por um japa era caroline
>ele chegou ate mim e pergunta se ela tava comigo no carro
>olho nos olhos da filha da puta que me colocou nessa confusão toda
>digo que não estava cmg no carro
>sou um beta betoso,nao conseguia fuder com a vadia
>japa solta ela e continuamos a procurar o guidão
>o japa gordo fica com vontade de mijar
>vamos pros banheiros quimicos
>um banheiro do lado do outro
>japa abre a porta do banheiro e da um pulo pra tras
>era guidao com uma neguinha la dentro chupando sua benga
>aquela rola era gigante
>do tamanho de um guidao de bicicleta
>tinha a espeçura de uma lata de refrigerante
>o tamanho da monstruosidade daquela rola assustou nos 3
>ficamos parado ali auns segundos
>tempo o bastante pro guidao se desgrudar da nehuinha e sair correndo igual a mil africanos atras de agua mas com as calças arriadas e uma mangueira grossa e preta balanãndo no meio das pernas
>o japa me solta e sai correndo atras dele
>o gordao fica olhando pra mim pra ver minha reaçao
>corro feito usain bolt
>consigo fugir,mas guidao ainda estava com minha chave
>precisava achar ele nao sabia como sair dali
>minha chance de sobrevivencia é o guidao
>começo a correr feito um condenado atras do guidao
>avisto caroline apontando pra mim e atras dela um japinha olhando
>japinha corre atras de mim
>a vadia me xixnovo
>levo uma rasteira e caio de boca no chao
>japinha pula em cima de mim me dando soco na cara
>levava altas bicudas quando um milagre aconteceu
>ouço um grito vindo da multidão
>"NINGUEM MECHE COM MEU HOMEM"
>era fernanda a gordinha saiu da multidão com a furia de mil mendigos
>ela derruba o japinha com um mata leão
>a gordinha era faixa preta em jiu jitsu
>ou uma gorda tremendamente apaixonada ja que finalizou o japa em poucos segundos
>peguei ela pelo braço e saimos correndo
>pergunto se ela viu o guidão
>ela diz que nao
>corremos em direçao ao muro
>faço pezinho e mando ela pualr
>adrenalina amil pra eu ter aguentado aquele saco de banha
>logo depois ela me puxa e quando vou pualr vejo caroline correndo em minha direção
>ela grita por ajuda
>japa gordao atras dela
>paro um pouco e olho pra caroline desesperada
>olho pra minha gordinha salvadora
>e pulo o muro deixo a vadia se fuder
>finalmente faço algo de que me orgulho
>começo a correr com a minha gordinha
>sim agora ela era minha
>foda-se se era gorda
>corro pro estacionamento
>tenho que levar o carro do meu pai pra casa de qualquer jeito
>lembro que ele tinha acabado de pagar o carro
>acho o carro no estacionamento
>pegou uma pedra pra jogar no vidro
>no meio do ato ouço um grito
>ABRE ESSA MERDA FILHA DA PUTA
>era guidão meu salvador
>vi ele correndo desferindo golpes de capoeira no japas que se aproximavam ate sobrar ele
>outros longe vindo em nossa direção
>ele chega perto e pede a cha
>GRITO FEITO UM MALUCO FALANDO QUE A CHAVE TA COM ELE
>ele diz que deve ter perdido no meio do boquete
>o japa gordo chega perto
>quando menos espero a gordinha se joga em cima dele pra ganharmos mais tempo
>guidao quebra o vidro do carro com um soco
>faz ligação direta
>sem nem pensar pulo dentro do carro e mando ele pisar fundo naquela merda
>ele olha pra mim e pergunta ,mas e gordinha
>FODA-SE TIRA A GENTE DAQUI
>guidao acelerou como se estivesse a 10 metros de um final de corrida
>nem vejo a troca de marcha com a tamanha habilidade conquistada em muitas fugas por esse mundo de crime afora
>de longe vejo a gordinha lutando com o gordão era muita banha pra todos os lados
>só consigo ver dali 5 japas pulando em cima da gordinha
>peço a deus pra que ela não sofra tanto
>guidao grita
>HAHAHA MOLEQUE ESSA FOI POR POUCO AUQELE JAPAS SAO UM PE NO MEU SACO
>estavamos livres e indo direto pro bairro do guidão
>adrenalina passando aos poucos
>guidao alucinado
>nunca pensei que aquele efeito das luzes passando no need for speed fosse verdade
>mas agora todas as luzes passando na minah cabeça ao som de Zeca pagodinho que o guidão tinha colocado na radio
>digo que to morto que meu pai vai me matar olha o estado do carro
>ele diz pra eu nao esquentar se eu contar toda a historia
>mas pra nao falar o nome dele se nao ele me mata e depois mata minha mae
>ele pergutna se eu tenho um cachorro que se nao tiver ele compra um e me da só pra poder matar ele tambem
>guidao para o carro na esquina e pergunta se eu queria meter naquela vadiazinha loira
>pergunta quanto eu tenho no bolso que conhece uma puta coisa fina
>ja tinha desistido de comer alguem
>entao tava contabilizando aqueles trezentão que meu pai me de pra trocar de placa de video
>chegamos na casa dele
>ele para o carro e poe aquela pemba gigante e preta pra fora e fala
>vira o cuzinho
>fudeu.jpg
>travei,sem ter o que fazer
>porra sai de casa pra comer buceta e vou ter meu cu arrombado
>meucu travou
>me preparo pra pular a janela quando ele começa a rir e fala que é brincadeira
>fico aliviado mas ele fala pra eu passar a grana
>ele leva toda minha grana
>leva meu tenis
>ele sai do carro e pula o primeiro muro que apareceu pela frente
>finalmente posso voltar pra casa
>pulo pro banco de motorista e percebo que não tem as chaves
>tento fazer ligação direta varias vezes sem muito sucesso
>ligo pro meu pai chorando e dizendo que me sequestraram e me largaram num bairro barra pesada
>um carro da policia chega e me leva pra casa
>chego em casa corro pros braços da minha mãe e do meu pai
>vou pro meu quarto
>entro no pc e falo com o irmão de caroline
>ele diz que os pais dela estão numa delegacia por suspeita de estupro
>pergunto se as amigas delas estavam com ela na delegacia
>ele diz que fernanda esta no hospital mas está bem
>fico feliz pela gordinha
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2020.04.25 15:51 PlayvrX Abril, Para a Eternidade

TEXTO 25 DE ABRIL (Escrito por mim, com revisão.)
Como já dizia o meu pai, “só quem esteve preso é que reconhece o valor da liberdade” (embora ele mesmo tenha garantido nunca ter visto “o sol aos quadradinhos”). A Liberdade nem sempre foi um valor garantido para os portugueses. Houve que lutar para alcançar este bem precioso e sair da escuridão. Por isso, o nosso passado e memórias coletivas têm de ser prezados e transmitidos às gerações seguintes. Importa, por isso, recordar alguns factos e reavivar as mentes dos portugueses. Comecemos pelo início. Dia 21 de agosto de 1973 : realiza-se, em Bissau, a primeira reunião clandestina do Movimento das Forças Armadas (MFA); na noite de 24 de abril de 1974, às 22h55, o programa Limite, da Rádio Renascença, emite “E Depois do Adeus” (interpretada por Paulo de Carvalho), mote combinado com os revolucionários para que estes se colocassem nas suas posições de alerta; na madrugada do dia seguinte, às 0h20, é transmitido o segundo sinal que dá início à Revolução, pela voz de José Afonso, com “Grândola, Vila Morena”. Durante as dezasseis horas que se seguem, os regimentos militares ocupam a RTP, o Estado Maior do Exército, o Banco de Portugal, o Ministério do Exército, e o Aeroporto de Lisboa. Na tarde desse mesmo dia, é feito o cerco ao Quartel do Carmo, liderado pelo Capitão Salgueiro da Maia, onde está refugiado Marcelo Caetano. Entretanto, após negociações, o último Presidente daquele que foi Conselho do Estado Novo acaba por ceder. O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca. Portugal sai, finalmente, da Ditadura, e entra numa nova jornada rumo à democratização, realizando, no ano seguinte, as primeiras eleições livres em mais de 40 anos de repressão. Com estas, nasce, então, a 1ª Constituição Pós-Ditadura. Agora vejamos, como os atuais filhos de abril estão a assistir à queda da Democracia moderna em Portugal, e, preferem, mesmo assim, manter-se na ignorância, “desligando-se” dos problemas atuais da nação. Relembremos um episódio quase anedótico envolvendo, em 1989, o então primeiro-ministro, Cavaco Silva. Segundo o artigo de José Pedro Castanheira, “Cavaco tenta corrigir erro com 20 anos”, escrito em 2009 para a revista Expresso, Cavaco Silva - que em tantos discursos terá apregoado o valor da Liberdade e , pelas palavras, enaltecido a ação dos homens que lutaram para que Portugal vivesse em Democracia - terá falhado de forma grosseira relativamente ao justo reconhecimento do valor de Salgueira Maia, um antigo combatente da Revolução, ao lhe recusar a atribuição de uma pensão de alimentos, que terá sido requisitada pelo mesmo, destinada a contemplar os chamados “serviços excecionais ou relevantes prestados ao país”. Ainda retomando o caso anteriormente narrado, Cavaco Silva ainda procurou atenuar o erro grosseiro cometido ao decidir prestar uma homenagem pública ao capitão, mas face à desconsideração do pedido vital de retribuição financeira ao antigo combatente, o primeiro-ministro não pôde evitar a grande onda de protesto popular que se fez ouvir a nível nacional. Quer para os combatentes, quer para as gerações seguintes, a decisão deste governante foi interpretada como um murro no peito. Para eles, não conceder a pensão era não reconhecer os valores de abril. Era não reconhecer todas e quaisquer pessoas que lutaram pelo derrubamento de uma Ditadura que deixou Portugal moral e materialmente empobrecido. Era não reconhecer cada gota de sangue, cada lágrima, cada filho, cada mulher e cada irmão que viu os seus pais, tios, e maridos saírem de casa naquele dia sem terem a certeza de que iriam voltar. Era uma chapada na cara da Revolução. Ainda falando de Liberdade, de Democracia e dos valores herdados da Revolução de abril, observemos dados mais recentes. Em 2015, de acordo com os dados da PORDATA (a Base de Dados de Portugal Contemporâneo), a taxa de abstenção de votos para a Assembleia da República foi de 44,1%; em 1975, foi apenas de 8,5%. Ora, este fenómeno deve-se a muitas razões. Deve-se, por exemplo, à falta de vontade dos jovens e menos jovens em se envolver nas questões da Nação, mas também ao descrédito dos portugueses relativamente aos políticos e à governação; para não falar do alheamento das gerações mais novas e da acomodação das mesmas face ao mundo novo que herdaram, esquecendo ou ignorando que este é, na verdade, fruto da luta dos combatentes da Revolução de abril. Para além do mais, vivemos todos numa época em que estamos a ser constantemente bombardeados por informação, vinda de várias fontes. O nosso cérebro dificilmente consegue absorver tudo porque tem prioridades, e a política não é uma delas. Esta realidade deve-se também à falta de representação e identificação com o sistema político. Como nota, a 5 de janeiro de 2014, o jornal O Público publicou uma matéria onde entrevistava oito jovens, nascidos no período de tempo compreendido entre 1980 e 1990. A resposta dos mesmos às questões colocadas foi no mínimo curiosa, mas muito esclarecedora. Os quatro primeiros entrevistados afirmaram: “Os jovens não estão desinteressados, não se reveem é nas formas e nos mecanismos convencionais de fazer política em Portugal, com os partidos e com os políticos.” Das outras intervenções sobressai ainda a ideia de que “a política não é orientada para os mais novos”. A partir dos testemunhos dados é possível realizar a seguinte conclusão: não se trata apenas da falta de interesse, mas também do não reconhecimento desta minoria política. Concluindo, foi a 25 de abril de 1974 que Portugal viu a luz ao fundo do túnel e saiu de uma Ditadura que tinha mantido o país no desamparo durante quatro décadas. Hoje em dia, passados mais de quarenta anos, os políticos recusam-se a ouvir a voz do povo. Os direitos do cidadão são colocados abaixo de interesses privados corporativistas e de favores políticos e financeiros a amigos. As gerações nascidas da Revolução, no geral, demonstram ter pouco interesse nos assuntos da Nação ou, por outro lado, manifestam-no, porém, sentem-se menosprezados. Não tarda nada, Paulo de Carvalho estará novamente a cantar “E Depois Do Adeus”, mas desta vez à Democracia!
Por mim (2019).
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2020.04.01 04:29 felipeforte Sobre as lutas antiopressão e o "identitarismo."

Recentemente tive conversando com camaradas a respeito da construção do socialismo e emancipação das opressões de classe, e aquele velho tema batido da hierarquia das opressões vem à tona.
Tive uma certa relutância a respeito da existência dos "coletivos", como o coletivo negro, o coletivo feminista, o coletivo LGBT. Afinal, os comunistas não já lutam pelo fim das opressões?
Em resumo, percebo agora que esses coletivos DEVEM EXISTIR, SIM, e vou tentar sintetizar alguns pensamentos a respeito disso.
Muitos camaradas insistem que esses movimentos são tendências pós-modernas "identitárias" e que individualizam a opressão. Isso é no máximo uma meia verdade, e no mínimo uma descontextualização histórica.
A opressão da mulher e do negro tem um histórico inclusive mais distante que o próprio capitalismo. A sociedade capitalista, depois da revolução liberal-burguesa, não aboliu de primeira mão essas opressões, e em alguns casos até a potencializou. Mas a luta de classes da mulher e do negro já aconteciam há tempos. As mulheres que desafiavam a estrutura social, por exemplo, carregavam a alcunha de "bruxas" e eram queimadas na fogueira, antes mesmo da existência do capitalismo. Aqui no Brasil, o negro não resignou sua existência e se submeteu plenamente ao sofrimento causado por seus torturadores. Há pesquisas acerca de negros durante o tráfico negreiro brasileiro que cometiam suicídio se jogando ao mar durante as viagens, provavelmente cientes de que eles eram apenas um objeto de valor, que jamais seríam livres nas mãos dos brancos e que preferiam morrer do que se submeter. Além disso, há uma história rica acerca das revoltas, dos quilombos, que raramente se resgata nas discussões, mas que são exemplos de lutas de classe num sistema escravista. Eram eles pós-modernos? Na loucura que se tornou as discussões acerca disso, falta só chamá-los de pré-pós-modernos.
O que seria, afinal, esse pós-modernismo identitário que tanto se fala?
A parte verdadeira dessa crítica reside no fato de que depois da destruição da URSS, os acadêmicos chegaram a contemplar a ideia de que vivíamos numa realidade "pós-histórica", que não existia mais combates ideológicos, que tudo isso era coisa do passado. Profana mentira, pois o Marxismo é hoje tão relevante quanto sempre foi. Mas foi nesse contexto que partidos que se intitulam de esquerda, mas que na verdade são liberais moderados, estabeleceram coletivos de luta antiopressão, porém, totalmente desligados da perspectiva de classe, ou seja, sem métodos críticos para combater as opressões de forma sistemática.
A burguesia internacional, que é politicamente organizada é absolutamente ciente do fato de que eles não podem manter o sistema de classes sem coerção ou submissão. Para este fim, a burguesia usa métodos estratégicos para dar ao povo a ilusão de democracia, a ilusão de liberdade, a ilusão de emancipação. Daí vem a estratégia do mercado de vender a imagem de "representatividade", "diversidade", "direitos", e a estratégia política de estabelecer um sistema multipartidário, mas que na essência é a mesma coisa, dando ao povo a ilusão da escolha.
A parte "identitária" desse sistema vem da tradição da psicologia ocidental. Quando somos crianças bem pequenas, nos olhamos no espelho e não reconhecemos a nós mesmos, porque não construímos uma visão do "eu". A partir da autorreferência linguística do "eu", a criança vai aprendendo a estabelecer uma série de características estruturais do que simboliza esse "eu", que é chamado de identidade. Isso se traduz nas roupas que se usa, nas músicas que se escuta, na linguagem que se fala, no jeito que se anda, até na cor da pele, no formato do corpo, e por aí vai. As descobertas da psicologia foram usadas para propaganda de guerra e propaganda de mercado, vendendo necessidades essencialmente desnecessárias aos consumidores. Afinal, o mercado só funciona com demanda, então o próprio mercado cria a demanda através da propaganda. É no uso da psicologia para vender produtos que você passa a ver propagandas de cigarro representando homens brancos, fortes, andando de cavalo fumando Marlboro. Não existe nenhuma relação entre esses domínios, mas está sendo vendido não apenas o cigarro, mas a ideia, a fantasia, o fetiche do cigarro. O nome disso é "psyops" ou "psychological operations", que é usado tanto externamente pelos EUA no contexto de guerra, quanto internamente para segregar grupos revolucionários. Por exemplo, durante algumas invasões imperialistas militares criminosas dos EUA em países do Oriente, os militares eram comandados a espalhar em escolas desenhos que representavam soldados estadunidenses cumprimentando pacificamente os moradores locais, numa operação para fazer com que as crianças vissem os soldados como seus amigos e os defendessem.
Quando os camaradas criticam o pós-modernismo identitarista não criticam as lutas antiopressão, mas as tendências acadêmicas de propagarem uma defesa do liberalismo sob o pretexto da identidade, exatamente como essas operações psicológicas dos EUA, mas muito mais sutis. Inúmeros camaradas foram cancelados e canceladas pelos movimentos identitaristas e faz todo sentido que esses movimentos sejam usados para segregar organizações revolucionárias como os EUA fizeram dentro de seu próprio país.
Mas o que esses camaradas não percebem é que é exatamente por esse motivo que devemos ter frentes avançando pelo caminho das lutas antiopressão, mas com uma perspectiva classista/marxista, para contrapor o individualismo mesquinho e o liberalismo disfarçado (ou até escancarado) das lutas identitárias. Esses grupos identitários persuadem as pessoas vendendo suas ideias liberais e individualistas, e nós precisamos também ocupar esses espaços para lutar estrategicamente contra essa ideologia violenta. É como a questão do Estado na sociedade de classes. O Estado existe enquanto a divisão de classes existir, e ele serve os interesses de uma das classes. Dada a revolução proletária, a ditadura do proletariado é nada menos que o Estado servindo a classe trabalhadora. O Estado não é um fim em si, é apenas um meio. Da mesma forma, os coletivos LGBT, feministas, negro, não são fins em si, apenas meios. Os coletivos, com perspectivas marxistas, na verdade são diversos caminhos para o mesmo destino, o poder popular.
Nosso campo de batalha não é só material, como é também ideológico, por isso, hoje eu defendo que os coletivos marxistas continuem existindo, para contrapor as tendências contra-revolucionárias em várias frentes estratégicas.
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
----------------------------------------
[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
------------------------------------------
Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.03.16 20:34 Upa-upa-puxadote 15 Obras de Camilo Castelo Branco em epub

São 15 epubs. Alguns são romances, outros são peças de teatro.
«A caveira do Mártir» - Publicado em 1876, o romance “A Caveira da Mártir” foi um dos maiores sucessos comerciais da carreira literária de Camilo Castelo Branco, quando ainda era vivo e, tal como muitas das obras camilianas, é baseada em casos reais e históricos. Mas, ao contrário de outros romances, que seguem somente uma história linear, aqui é explorado um entrelaçado de histórias, interligadas pelas acções e domínio da Santa Inquisição na justiça portuguesa e da aplicação da pena capital.
«Mistérios de Lisboa» - Publicado num jornal portuense, em 1853. Enredo: Pedro é um órfão de 14 anos, aluno de um colégio católico. Na sua procura pela identidade dos seus pais vai conhecer a trágica história da vida de ambos. À sua volta, várias histórias, entrelaçadas e interligadas, que atravessam todo o século XIX sobre 40 diferentes personagens: amor, paixão, crime e adultério, onde cada um tem o seu papel no destino dos outros.
«A Queda de Um Anjo - Publicado em 1866, esta história sobre a corrupção moral é uma dos mais célebre romances satíricos de Camilo Castelo Branco e também um dos mais divertidos e cómicos. A temática da história é simples: o poder corrompe; e a ostentação, o adultério e a personalidade de “vira-casacas” são corolários dessa corrupção. Enredo: Calisto Elói, um morgado minhoto provinciano de elevados valores morais é convidado para ser deputado em Lisboa, acabando assim por se deixar corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital.
«O Judeu» - Publicado em 1866, a obra “O Judeu” de Camilo Castelo Branco é um romance histórico de homenagem àquele que se tornou na figura representativa dos milhares de judeus portugueses que morreram pela Inquisição entre 1540 e 1794, em Portugal. Enredo: História da vida trágica de António José da Silva, o mais famoso dramaturgo português do seu tempo que acabaria posteriormente por morrer na fogueira às mãos da Inquisição.
«O retrato de Ricardina» - A obra foi escrita em plena guerrilha literária, que opôs os escritores românticos da velha guarda, aos jovens estudantes de Coimbra, que defendiam um novo tipo de literatura na chamada “Questão Coimbrã”. Curiosamente, Camilo escreveu este romance com o intuito de parodiar os movimentos literários do Realismo e do Naturalismo, mas o resultado foi uma obra que faz um fresco da condição da mulher da época, com poucos direito e sem grandes liberdades. Enredo: Bernardo, um jovem humilde, que na infância era pastor e aprendiz de pintor, fica subitamente rico com uma herança que recebe. Após formar-se em Coimbra e voltar à sua terra, na freguesia de Espinho, apaixona-se pela bela Ricardina, filha do Abade da região, um homem poderoso, influente e vingativo que recusa que a filha se relacione com alguém das suas origens. Os dois fogem, sempre perseguidos pelos capangas do pai da rapariga.
«O Morgado de Fafe em Lisboa» - Peça de teatro. Enredo: O Barão e a Baronesa de Caçurrães querem casar a filha, extremamente pretenciosa, com um pretendente rico mas a rapariga não acha nenhum dos pretendentes dignos dela. No entanto quanto mais se descobre sobre a personalidade da mesma, mais se percebe que ela é que não é digna dos pretendentes.
«A Bruxa do Monte Córdova» - Publicada em 1867, esta novela Camiliana tem como pano de fundo a guerra civil que ocorreu entre 1831 e 1834, e opôs os defensores de D. Pedro I e da sua filha D. Maria II, liberais e constitucionalistas, aos defensores de D. Miguel I, os absolutistas e tradicionalistas. Mas a acção principal em si relata-nos uma história de amor trágico que define bem a época conturbada em que se vivia, falando principalmente da falta de carácter dos representantes da igreja, enquanto instituição, que incentivavam o fanatismo e o histerismo religiosos e davam azo a intrigas e convulsões sociais.*
«A Brasileira de Pranzins» - Enredo: Marta de Prazins, chamada de “A brasileira” pois está prometida, pelo pai, a um tio que fez fortuna no Brasil, apesar de ter José Dias como seu apaixonado.
«Amor de Perdição» -A mais popular obra de Camilo Castelo Branco, que lhe conferiu fama, popularidade e que o consagrou como um dos mais relevantes escritores românticos portugueses. Foi escrita, segundo o autor, em apenas 15 dias, no ano de 1861, enquanto esteve preso na cadeia da Relação, na cidade do Porto, por se ter envolvido num escândalo de adultério.
Enredo: Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens enamorados de famílias rivais da cidade de Viseu do século XIX, mantêm um namoro proibido com consequências trágicas e mortais, não apenas para ambos mas também para aqueles que os rodeiam.
«Amor de Salvação» - Amor de Salvação, obra de Camilo Castelo Branco, publicada em 1863, é uma novela passional, considerada pela crítica uma das obras mais bem acabadas do autor. Enredo: Amor de Salvação conta a história da relação conturbada entre Afonso e Teodora, que tinham sido prometidos um ao outro, desde o momento que nasceram.
«Coração, Cabeça e Coração» - Romance que conta a história de Silvestre da Silva, em três grandes fases da sua vida. Uma primeira em que ele dedica os seus amores e às “coisas do coração”, às quais ele depois diz ser uma “tolice brava”; a uma segunda fase ao “intelecto” e. finalmente a uma terceira em que afirma render-se aos apelos do estômago até morrer.
«Onde está a Felicidade» - Publicado em 1856, o romance Onde Está a Felicidade? é um retrato fiel da sociedade da época, caracterizada pela importância do dinheiro e do estatuto como forma de promoção social. Trata-se de um romance onde impera a crítica à sociedade, representada pelas figuras de Guilherme do Amaral, que simboliza a riqueza, e de Augusta, que personifica a população de parcos recursos. Enredo: A história da busca da felicidade por parte de Guilherme e Augusta. Ambos apaixonam-se e tornam-se amantes, no entanto, Guilherme abandona a jovem, seduzido pela beleza de uma prima sua e Augusta irá perceber que a felicidade não é fácil de encontrar
«A doida do Candal» - Enredo: Quando Simão Peixoto ameaça a sua irmã Lúcia com o convento para que possa ficar com as heranças que por direito são dela, esta pede ajuda ao seu primo Marcos Freire. Com ajuda de José Osório este consegue retirá-la para casa de umas parentes. Furioso, Simão quer vingança, e tanto provoca Marcos que acaba por se bater em duelo com ele, matando-o. Quando a notícia chega a Maria da Nazaré, com quem Marcos tem um filho, esta enlouquece, ficando conhecida como a doida do Candal.
«O Lobisomem» - Peça de Teatro = Enredo: Uma aldeia localizada nas serras de entre Douro e Minho vive assombrada com as aparições de um lobisomem que ronda as imediações da povoação. Entre o medo e o mistério, resta ao povo tentar descobrir a quem dos vizinhos recaiu tamanha maldição.
«A Sereia» - Uma novela de Camilo muito popular no tempo da sua publicação mas que acabou por ser relegada para o esquecimento dentro da vasta lista de obras camilianas. Enredo: A trágica história de Joaquina Eduarda, cantora de palco a quem chamavam “A Sereia”.
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Apesar de alguns direitos conquistados pela mulher, ainda estamos longe de vê-los serem respeitados. Para tentar mudar esse cenário, cada vez mais mulheres se organizam em grupos para lutar por ... Com apenas 25 anos, Mietta desafiou a justiça no Brasil impetrando um Mandado de Segurança em que alegava que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Constituição Brasileira de ... As mulheres no movimento sindical ... A entrevista foi gravada em ocasião do debate 'Novas narrativas na luta pelos direitos das mulheres', realizado pela Fisenge em julho de 2016 e que marcou o ... Centenas de argentinas se juntaram à manifestação pelas ruas da capital em protesto no decorrer do Dia Internacional da Mulher, demandando mais direitos para mulheres. Se inscreva: https://www ... O movimento feminista no Brasil traz em sua trajetória grandes conquistas de direitos que passam despercebidas aos nosso olhos. Veremos as principais mulhere... A Professora do Burke Instituto Conservador, Ana Campagnolo, afasta de forma objetiva a falácia de que o movimento feminista teria sido efetivamente responsável pela conquista dos direitos das ... A Alinny é evangélica e sua crença só a faz lutar a favor da vida das mulheres. 5 motivos para legalização do aborto: 1. O aborto é uma realidade na vida das mulheres de todos os credos e ... Rio Carnival 2017 [HD] - Floats & Dancers (Extended Version) The Best of Brazilian Carnival - Duration: 51:07. juniorpetjua Recommended for you NBR Notícias - 13.03.12: Breve histórico lembra as conquistas das mulheres em um tempo em que eram proibidas até de votar. Joaquina Lino: Ativista Feminista articuladora do Movimento Articulado das Mulheres da Amazônia - MAMA. Joaquina Lino mora no Amapá e tem sua vida dedicada a luta contra a violência das ...